Guatemaltecos processam EUA por espalhar sífilis no país

Teste realizado nos anos 40 envolveu 700 cobaias durante programa que estudava os efeitos da penicilina

BBC Brasil |

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Um grupo de guatemaltecos que foi contaminado durante testes médicos realizados por pesquisadores americanos entraram com processo coletivo contra o governo dos Estados Unidos.

Quase de 700 pessoas foram infectados com sífilis ou gonorreia nos anos 40, durante um programa que estudava os efeitos da penicilina. Centenas de prisioneiros, pacientes psiquiátricos e órfãos foram usados como cobaias.

Nos experimentos, os pesquisadores subornavam funcionários locais para poder dar a injeção com as bactérias causadores das duas doenças sexualmente transmissíveis nos pacientes – o mesmo acontecia nos orfanatos.

Já os prisioneiros eram incentivados a ter relações sexuais com prostitutas contaminadas com uma das duas doenças. Todos haviam sido previamente tratados com penicilina. O objetivo era determinar se substância poderia prevenir a doença.

Desculpas

Quando o caso veio à tona, em outubro do ano passado, o governo americano se desculpou oficialmente e qualificou o experimento como “antiético” e “inaceitável”. Segundo os advogados das vítimas, a decisão pelo processo foi tomada após o governo americano não responder sobre uma proposta de acordo.

Provas da existência do programa foram reveladas pela professora Susan Reverby, da Universidade de Wellesley, nos Estados Unidos. Segundo ela, o estudo na Guatemala foi organizado pelo Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos, mas tinha o aval do governo guatemalteco.

A sífilis pode causar problemas cardíacos, cegueira e levar à morte.

Segundo o jornal guatemalteco Prensa Libre, participam a ação coletiva 15 vítimas do caso. No entanto, se o veredicto for favorável, abre-se precedente para que todos os outros infectados sejam beneficiados. Eles pedem indenização para si próprios e também para seus familiares, já que muitos também foram prejudicados.

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