Grupo guerrilheiro não ameaça estabilidade, diz ministro paraguaio

Alvo de uma grande ofensiva iniciada no último dia 25 de abril pelas forças de segurança do Paraguai, o grupo guerrilheiro Exército do Povo Paraguaio (EPP), acusado de sequestros e assassinatos no norte do país, é encarado pelo governo de Assunção como uma organização criminosa, mas que ainda não traz riscos para a estabilidade da região. "O EPP não é a única ameça, não é nem mesmo a maior", afirmou o ministro do Interior do Paraguai, Rafael Filizzola, em entrevista por telefone à BBC Brasil na última quinta-feira.

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Alvo de uma grande ofensiva iniciada no último dia 25 de abril pelas forças de segurança do Paraguai, o grupo guerrilheiro Exército do Povo Paraguaio (EPP), acusado de sequestros e assassinatos no norte do país, é encarado pelo governo de Assunção como uma organização criminosa, mas que ainda não traz riscos para a estabilidade da região. "O EPP não é a única ameça, não é nem mesmo a maior", afirmou o ministro do Interior do Paraguai, Rafael Filizzola, em entrevista por telefone à BBC Brasil na última quinta-feira. Segundo Filizolla, o EPP não pode ser classificado como "exército" ou algo do tipo, mas como uma "organização criminosa" que representa uma ameaça, na medida em que "é formada por gente perigosa, treinada e que pratica sequestros, roubos e assassinatos". De acordo com o Comando Operacional Conjunto das Forças Armadas do Paraguai, a operação contra o EPP, batizada de Py'Aguapy (tranquilidade, em guarani), conta com 3,3 mil homens, entre soldados das Forças Armadas e da Polícia Nacional, atuando nos Departamentos (Estados) de Concepción, San Pedro, Amambay, Presidente Hayes e Alto Paraguai. Vínculos Apesar do tamanho da operação, Filizzola afirma que não se pode "superestimar" o EPP. Segundo ele, a ofensiva contra o grupo faz parte de uma luta mais ampla contra o crime organizado no Paraguai, inclusive contra a atuação de grupos de narcotraficantes supostamente brasileiros no norte do país. De acordo com o ministro, o governo paraguaio ainda não tem a comprovação de que os integrantes do EPP estejam vinculados ao tráfico de drogas, mas as relações do grupo com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) podem indicar que isto já esteja acontecendo. Filizzola afirma que cerca de 40 pessoas já foram presas por suspeita de envolvimento com o EPP. O Exército paraguaio, por sua vez, prefere não dar maiores detalhes sobre o curso da operação, afirmando que certas informações devem ser tratadas com "muita discrição" pelo Comando Operacional. O EPP ganhou destaque nos meios de comunicação nas últimas semanas, depois que o governo do Paraguai declarou estado de exceção em cinco Departamentos do país, sob a justificativa de combater o grupo guerrilheiro. De acordo com Filizzola, o fato de parte do Paraguai estar sob estado de exceção não significa, no entanto, que as instituições do país estejam funcionando fora da normalidade. Segundo ele, a medida é um meio legal para que as Forças Armadas possam atuar junto com a polícia no combate à criminalidade, o que só é permitido pela legislação paraguaia com o decreto de estado de exceção. Guerrilha Informações divulgadas pela imprensa paraguaia dão conta de que o EPP foi criado em 1990, como o braço armado do extinto Partido Pátria Livre, de orientação socialista. Desde então, o grupo vem sendo responsabilizado por diversas ações armadas e sequestros, entre eles o de Cecilia Cubas Gusinky, filha do ex-presidente paraguaio Raúl Cubas, que teria sido morta mesmo após o pagamento de um resgate de US$ 300 mil (cerca de R$ 556 mil) em 2005. Entre as vítimas do grupo armado também estariam latifundiários brasileiros no Paraguai. Para o analista político Francisco Capli, da consultoria paraguaia First Análisis y Estudios, a pobreza nos Departamentos da região norte do Paraguai pode ter sido um dos motivos que levaram à criação do EPP na região. Segundo ele, alguns grupos passaram a reagir contra esta situação, entre eles radicais como o EPP. Capli não descarta, inclusive, que o grupo armado receba apoio em algumas comunidades do país. O analista ainda afirma que, caso não seja combatido, o grupo pode se tornar uma ameaça grave à estabilidade do país. "O EPP pode se transformar em uma narcoguerilha e, se você não atacar, pode tomar todo o Paraguai", diz.

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