Grécia finaliza pacote de austeridade em troca de ajuda financeira

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, disse que seu país finalizou um pacote de medidas de austeridade que lhe permitirá chegar a um acordo de ajuda financeira com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). O objetivo do pacote é economizar 30 bilhões de euros (cerca de R$ 80 bilhões).

BBC Brasil |

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, disse que seu país finalizou um pacote de medidas de austeridade que lhe permitirá chegar a um acordo de ajuda financeira com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). O objetivo do pacote é economizar 30 bilhões de euros (cerca de R$ 80 bilhões). Os detalhes das medidas, que incluirão reduções de salários, aposentadorias e aumentos de impostos, serão anunciadas neste domingo. Após uma reunião de gabinete transmitida ao vivo pela TV como "símbolo de transparência" do governo, Papandreou disse que a prioridade de seu governo é evitar a bancarrota grega, mas assinalou que as medidas vão requerer "sacrifícios" por parte do povo grego. "Estes sacrifícios nos darão fôlego e tempo para realizar mudanças mais profundas", afirmou o primeiro-ministro grego, ao defender as medidas. "Quero dizer aos gregos muito honestamente que temos um grande teste pela frente." Ainda neste domingo os ministros de Finanças dos países da zona do euro se reunirão em Bruxelas para aprovar o pacote de ajuda, que deve se situar entre 100 bilhões de euros e 120 bilhões de euros nos próximos três anos. O presidente da Comissão Européia, o braço executivo da UE, recomendou a aprovação da ajuda. O português José Manuel Barroso qualificou as medidas gregas de "sólidas e com credibilidade". Confrontos Mas as medidas já estão provocando o descontentamento na Grécia. No sábado, dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas no sábado para protestar contra o aperto. No sábado, milhares de pessoas foram às ruas de Atenas e outras cidades gregas para protestar contra as medidas. Em Atenas, a polícia usou gás lacrimogêneo contra estudantes que faziam uma passeata em frente ao prédio do Ministério das Finanças. Cenas semelhantes se repetiram em Salônica, no norte do país, onde os estudantes também confrontaram a polícia, invadiram lojas e vandalizaram bancos. Segundo o correspondente da BBC em Atenas, Malcolm Brabant, pesquisas de opinião mostram que a maioria dos gregos está irritada e apavorada com o acordo de ajuda, porque eles não se sentem responsáveis pela atual crise econômica. "A maioria das pessoas nas ruas quer que o governo faça os ricos pagarem pelo déficit orçamentário, e não os trabalhadores comuns", disse o correspondente. Contaminação Há temores de que a crise da dívida grega contamine outras economias por conta da moeda comum. Portugal, Espanha e Irlanda estão na situação mais delicada, segundo os analistas. Em uma entrevista publicada neste domingo no jornal "Bild am Sonntag", a chanceler Angela Merkel, que está à frente de uma das locomotivas econômicas da União Europeia e portanto é figura central na negociação da ajuda financeira, disse que as condições de austeridade impostos à Grécia devem servir de lição para outros países com economias em dificuldades. "Esses países podem ver que o caminho da Grécia junto com o FMI não é fácil. Como resultado, eles farão tudo o que puderem para evitar o mesmo", afirmou Merkel.

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