Grã-Bretanha se prepara para maiores cortes de gastos desde a 2ª Guerra

Medidas devem afetar todas as áreas do governo, incluindo saúde, bem-estar social, transporte e segurança pública

BBC Brasil |

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O governo da Grã-Bretanha deve anunciar nesta quarta-feira o maior pacote de cortes de gastos públicos desde a Segunda Guerra Mundial, numa tentativa de combater o crescente déficit público do país.

As medidas, que serão anunciadas pelo ministro das Finanças, George Osborne, devem afetar todas as áreas do governo, incluindo saúde, bem-estar social, transporte e segurança pública.

Espera-se cortes de cerca de 25% em média em todos os departamentos, com o fechamento de cerca de 500 mil postos de trabalho no serviço público até o ano fiscal de 2014/15.

A Grã-Bretanha tem hoje o maior déficit público de sua história, de mais de 150 bilhões de libras (cerca de R$ 398 bilhões). Isso equivale a 11% do PIB do país, um dos níveis mais altos entre os países ricos.

Nos próximos quatro anos, os cortes de gastos do governo britânico devem chegar a 83 bilhões de libras (cerca de R$ 220 bilhões). Também espera-se a elevação de impostos para aumentar a arrecadação em 29 bilhões de libras (cerca de R$ 77 bilhões).

Dívida acumulada
Os anúncios desta quarta-feira são aguardados desde as eleições britânicas de maio, que o Partido Conservador venceu com a bandeira de tomar uma “ação urgente” para equilibrar as contas públicas.

Logo após tomar posse, o governo já havia anunciado, como “ação urgente”, cortes de mais de 6 bilhões de libras (cerca de R$ 16 bilhões) já neste ano fiscal.

Na terça-feira, também já haviam sido anunciados cortes de 8% do orçamento de Defesa britânico. Mais de 40 mil postos de trabalho devem ser cortados no Ministério da Defesa e nas Forças Armadas do país.

O governo argumenta que os cortes reduzirão a proporção da dívida pública acumulada em relação ao PIB e deixarão tanto o déficit público como a dívida em níveis menores e mais sustentáveis.

Recessão
O opositor Partido Trabalhista, que deixou o poder em maio após 13 anos no poder, acusa o governo de cortar gastos além do necessário e de maneira muito rápida, o que poderia levar a economia britânica de volta à recessão.

O líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband, acusou o governo de fazer “uma aposta irresponsável com a nossa economia”. “Existe uma alternativa. O que o governo deveria estar fazendo seria estabelecer um plano para reduzir o déficit, mas também para proteger os empregos e o crescimento no nosso país”, afirmou.

“As pessoas ficarão muito temerosas sobre o que está sendo anunciado hoje, temerosas por seus empregos e temerosas por muitos dos serviços com os quais contam em todo o país”, argumentou Miliband.

O governo, porém, diz que a rápida redução do déficit será benéfica para a economia por restaurar a confiança dos mercados financeiros e reduzir as taxas de juros pagas pelos empréstimos do governo.

O vice-premiê britânico, Nick Clegg, do Partido Liberal Democrata, afirmou aos deputados de seu partido que o pacote de cortes envolve “decisões difíceis”, mas que isso “provê a melhor evidência até agora da razão de estarmos no governo”.

Muitos membros do Partido Liberal Democrata, que se aliou ao Partido Conservador para formar o governo após as eleições, acusam a liderança da agremiação de dar as costas a posições do partido ao concordar com os cortes defendidos pelos conservadores.

Segundo Clegg, as decisões sobre os cortes são as corretas “para construir uma Grã-Bretanha mais justa e mais liberal”.

Detalhes
Apesar de os detalhes do pacote do governo terem seu anúncio oficial apenas nesta quarta-feira, muitos dados foram tornados públicos já no dia anterior, após o secretário do Tesouro, Danny Alexander, ter sido fotografado segurando documentos sobre os cortes.

Entre as informações visíveis nas fotos estavam a afirmação de que o combate ao déficit é “inevitável” e que haveria um “impacto inevitável” sobre os servidores públicos, com 490 mil menos postos de trabalho até 2015.

Milhares de manifestantes participaram de um protesto contra os cortes em frente ao Parlamento na terça-feira.

Dave Prentis, secretário-geral da Unison, a maior central sindical da Grã-Bretanha, disse que o governo “está passando uma motosserra nos nossos serviços públicos... não por causa do déficit, mas por causa de sua ideologia”.

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