Governo lança PAC 2 com foco em energia e habitação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira, juntamente com a pré-candidata do PT à Presidência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 2, em uma cerimônia para cerca de 1,2 mil convidados em Brasília. A festa aconteceu poucos dias antes do prazo final para a desincompatibilização de Dilma do cargo, no próximo dia 2 de abril.

BBC Brasil |

A partir desta data, Dilma não poderá comparecer a eventos oficiais e inaugurações.

A nova fase do programa prevê investimentos da ordem de R$ 1,59 trilhão, sendo que R$ 958,9 bilhões devem ser gastos entre 2011 e 2014, período do mandato do próximo presidente.

Os projetos relacionados à energia serão prioridade e devem consumir R$ 1,092 trilhão do orçamento previsto para o programa.

Deste total, R$ 879 bilhões devem ser gastos com projetos relacionados a petróleo e gás, e outros R$ 136,6 bilhões em energia elétrica. O governo prevê a construção de 54 usinas hidrelétricas como parte do programa.

A área da habitação será a segunda maior prioridade, recebendo um total de recursos de R$ 278 bilhões, sendo que R$ 176 bilhões serão destinados ao financiamento de imóveis e R$ 71,7 bilhões devem ser aplicados no programa Minha Casa, Minha Vida.

No total, segundo o governo, devem ser construídas cerca de 2 milhões de casas até 2014, sendo que 60% delas serão destinadas a famílias com renda de até R$ 1.395.

As obras de saneamento básico devem consumir R$ 22,1 bilhões e as de mobilidade urbana R$ 18 bilhões. O PAC 2 ainda prevê R$ 7,6 bilhões para a construção de creches e pré-escolas.

Metas
O lançamento da segunda fase do PAC acontece em um momento em que as iniciativas já concluídas da primeira fase do programa consumiram menos da metade (40,3%) do orçamento total previsto, de acordo com o último balanço divulgado pelo governo, que abrange dados até dezembro de 2009.

Um levantamento da ONG Contas Abertas, no entanto, aponta que, levando-se em conta o andamento dos projetos e não o orçamento comprometido, a porcentagem de conclusão da primeira fase do PAC é ainda menor.

Segundo o levantamento, feito a partir dos relatórios estaduais do comitê gestor do PAC, apenas 1.378 projetos foram concluídos nos três anos do programa, o que representa 11,3% do total de 12.163 obras previstas.

Ainda de acordo com a ONG, 46% dos projetos previstos no PAC 1 estão em andamento ou já foram entregues, enquanto 54% ainda não saíram do papel.

O levantamento não inclui cerca de mil projetos em Goiás, Piauí e Rondônia, Estados que ainda não tiveram seus balanços divulgados.

Campanha
O lançamento do PAC 2 deve ser o último grande evento do governo que contará com a presença de Dilma Rousseff como ministra da Casa Civil. Ela deve deixar o cargo na próxima quarta-feira (31) para poder concorrer à Presidência.

Dilma, que foi chamada pelo presidente Lula de "a mãe do PAC" e não tem experiência em cargos eletivos, deve usar os resultados do programa durante a campanha como vitrine de sua capacidade de gestão.

Segundo pesquisa feita pelo instituto Datafolha entre os dias 25 e 26 de março, a pré-candidata do PT à Presidência está em segundo lugar na preferência do eleitorado, com 27% das intenções de votos.

O governador de São Paulo, José Serra, que deve ser o candidato do PSDB, aparece em primeiro lugar, com 36% das intenções. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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