Governo americano investigou 'jeito de playboy' de pai de Obama

Registros do Departamento de Imigração sobre pai de presidente mostram tratamento preconceituoso por autoridades dos EUA

BBC Brasil |

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Além da certidão de nascimento do presidente Barack Obama, outros documentos sobre sua história pessoal vieram à tona nos Estados Unidos na última quarta-feira.

Uma jornalista americana teve acesso ao arquivo que o Departamento de Imigração dos EUA guarda sobre o pai do presidente, o queniano Barack Hussein Obama.

Reuters
Foto mostra Obama pai e o atual presidente americano ainda criança
Os registros - obtidos por Heather Smathers, do jornal Arizona Independent - mostram o tratamento aparentemente preconceituoso ao qual ele foi submetido, tanto por parte de autoridades imigratórias como pela própria diretoria da Universidade de Harvard, onde ele chegou a se matricular como doutorando.

O dossiê traz diversas notas sobre a vida pessoal de Obama pai, chega a qualificá-lo de “playboy” e afirma que ele estava sempre atrás de mulheres, embora deixe claro que essas características não seriam suficiente para cancelar seu visto de estudante.

Um dos memorandos, datado de 1961, cita uma responsável por estudantes estrangeiros na Universidade do Havaí, onde ele estudou assim que chegou aos Estados Unidos e conheceu a mãe do presidente, Stanley Ann Dunham. “A senhora McCabe (a responsável) afirma que Obama (pai) tem andado com várias garotas desde que chegou e, no verão passado, ela o alertou sobre seu jeito de playboy. Ele respondeu que iria ‘tentar’ ficar longe das mulheres”, diz a nota.

‘Evasivo’

Em outro documento, o pai do presidente é qualificado de “evasivo”. Suas relações com diversas mulheres foram investigadas e a questão de seus “problemas matrimoniais” foi discutida em uma época em que casamentos interraciais ainda eram ilegais em boa parte do país. A lei que bania essas uniões foi derrubada pela Suprema Corte apenas em 1967, quando 17 Estados americanos ainda as proibia.

Uma aparente conspiração com a Universidade Harvard para se livrar de Obama pai vem à tona em um memorando de 19 de maio de 1964: “Obama passou em suas avaliações finais, o que indica que, em termos acadêmicos, ele está apto a continuar aqui e escrever sua tese. No entanto, (Harvard) vai tentar bolar algo para retirá-lo discretamente (...) Eles estão planejando dizer a ele que vão cancelar sua bolsa e por isso ele deveria voltar para o Quênia e escrever sua tese de lá". Nessa época, a extensão de visto estudantil do pai do presidente foi realmente negada e ele deixou o país.

Poligamia

O casamento anterior de Obama pai, com uma queniana, também foi alvo de investigação. As autoridades afirmam que ele ainda estava casado com ela, embora o queniano afirmasse que já havia se divorciado. Uma nota lembra que “poligamia não é algo passível de deportação, mas ele deve ser questionado (sobre isso) para que uma nova extensão (de seu visto) seja concedida – e uma negação deve ser considerada”.

Segundo a jornalista, os documentos também comprovam que o presidente Obama realmente nasceu no Havaí. Ela cita um memorando de 31 de agosto de 1961 do Serviço de Imigração e Naturalização, que afirma que, enquanto estudava na Universidade do Havaí, Barack Obama pai teve um filho, nascido em Honolulu em 4 de agosto daquele ano, que foi batizado como Barack Obama 2.

O escritor Andrew Rice analisou os documentos e disse ver preconceito neles. “Está claro que Obama pai se tornou indesejável no país no momento em que se casou com uma mulher branca e que um contexto racista domina toda a documentação. Ele realmente parece ter sido um mulherengo. Mas a questão é a seguinte: se o estudante em questão fosse, por exemplo, um francês, será que o governo americano perderia tanto tempo investigando seus casos com mulheres americanas?”

A jornalista do Arizona Independent afirmou que a Casa Branca não quis comentar o caso.

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