General é ferido e manifestante morre em violência na Tailândia

Militar dissidente é atingido na cabeça e opositor morre em meio à onda de violência; 15 Estados estão sob estado de emergência

BBC Brasil |

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Um manifestante foi morto nesta quinta-feira na capital da Tailândia, Bangcoc, em uma nova onda de violência envolvendo militares fiéis ao governo e membros de um grupo de oposição, os chamados camisas vermelhas.

De acordo com a repórter da BBC na capital tailandesa Rachel Harvey, a morte do manifestante oposicionista ocorreu quando um grupo de mais de cem manifestantes avançou em direção às forças de segurança e, em resposta, os soldados abriram fogo. No total, mais de 30 pessoas já morreram nos confrontos entre oposicionistas e militares tailandeses nos últimos meses.

Mais cedo um general dissidente tailandês que apoia os protestos da oposição foi baleado . O general Khattiya Sawasdipol, mais conhecido como Seh Daeng ("Comandante Vermelho", em tradução livre), estaria em estado grave. Ele se descreve como o estrategista militar dos camisas vermelhas e é considerado um terrorista pelo governo tailandês. O jornal The New York Times informou que ele foi baleado na cabeça enquanto dava uma entrevista para um de seus jornalistas.

Sean Boonpracong, porta-voz internacional do movimento dos camisas vermelhas, disse à BBC que acredita que o general tenha sido baleado por um atirador do Exército. Sawasdipol, que foi suspenso do Exército tailandês, também é visto como membro da ala mais radical dos manifestantes e acusou os líderes dos camisas vermelhas de não serem linha dura o bastante. A violência voltou a Bangcoc depois que venceu um prazo dado pelas autoridades para que os soldados cercassem e isolassem um acampamento dos oposicionistas caso eles não se dispersassem.

Segundo Rachel Harvey, com essa nova onda de violência, todas as negociações para reconciliação no país e o cronograma para a realização de eleições foram abandonados e Bangcoc está se preparando para mais violência.

Perímetro isolado

Também nesta quinta-feira, o governo tailandês estendeu o estado de emergência em vigor no país para mais 15 províncias, por causa da instabilidade no país. Os militares tailandeses haviam informado que, a partir das 18h locais (8h em Brasília), a área onde está o acampamento dos oposicionistas em Bangcoc seria cercada e pediram que as pessoas deixassem a área .

O Exército pediu também que lojas e escritórios dentro do perímetro de isolamento também baixassem suas portas até esse horário e avisou que estações de metrô fechariam mais cedo. De acordo com Rachel Harvey, cerca de 200 soldados foram vistos se movendo em direção ao acampamento. Foram ouvidas explosões e tiros. A iluminação pública no acampamento foi desligada, mas os manifestantes continuaram tocando músicas no local.

Temores

Os manifestantes, uma aliança de ativistas de esquerda, defensores da democracia e seguidores do premiê deposto Thaksin Shinawatra, levantaram barricadas usando pneus e bambus e estão estocando alimentos e geradores. Eles ocupam partes de Bangcoc há mais de dois meses. Eles acusam o atual governo de ilegítimo por ter chegado ao poder por meio de uma negociação parlamentar e não do voto.

Rachel Harvey diz que há temores de que as tensões possam causar mais confrontos violentos, o que seria surpreendente já que parecia que a situação poderia ser solucionada em breve. O governo anunciou e depois cancelou uma interrupção no fornecimento de água e energia para a região onde os manifestantes se concentram. Eles ocupam partes da capital desde o dia 14 de março.

O premiê tailandês, Abhisit Vejjajiva, propôs a data de 14 de novembro para o processo eleitoral, mas um acordo foi impossibilitado pelo impasse sobre quem são os responsáveis pela repressão que deixou 19 manifestantes, cinco soldados e um jornalista mortos em abril. A oposição quer que o vice-premiê, Suthep Thaugsuban, responda pelas consequências da violência do mês passado. O governo rejeita.

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