Forças de líder opositor chegam à maior cidade da Costa do Marfim

Desdobramento ocorre no mesmo dia em que chefe de gabinete se refugia na embaixada sul-africana - um sinal de isolamento de Gbagbo

BBC Brasil |

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Na Costa do Marfim, forças leais ao líder de oposição Alassane Ouattara chegaram nesta quinta-feira à cidade mais populosa do país, Abidjan, depois de avançar pelo território e tomar várias cidades nos últimos dias.

AFP
Milicianos pró-Gbagbo disparam enquanto forças leais a Alassane Ouattara, reconhecido internacionalmente como presidente da Costa do Marfim, aproximam-se de Abidjan
Ouattara é reconhecido internacionalmente como o vencedor das eleições presidenciais de novembro no país africano, mas o presidente que tentava a reeleição na votação, Laurent Gbagbo, recusou-se a reconhecer a derrota e continua no poder. Em uma declaração divulgada pela TV do país, Ouattara pediu que as tropas leais a Gbagbo se juntem às forças da oposição para evitar sofrimento.

Os novos desdobramentos ocorreram no mesmo dia em que o governo da África do sul revelou que o chefe do gabinete militar marfinense, general Phillippe Mangou, buscou refúgio com sua família na embaixada sul-africana em Abidjan – num sinal do crescente isolamento de Gbagbo.

Avanço opositor

Os combatentes leais a Ouattara avançaram vindos do norte do país e já capturaram a capital marfinense, Yamoussoukro, e o porto de San Pedro, considerado estratégico por concentrar as exportações de cacau, o principal produto da economia do país.

O correspondente da BBC em Yamoussoukro John James diz que os opositores já dominaram quase toda a capital e que Abidjan parece ser a única área do país que manteve sua lealdade a Gbagbo. Isso aumenta seu isolamento e diminui suas chances de permanecer no poder.

Já há relatos de confrontos entre as forças leais a Gbagbo e a Ouattara na periferia de Abidjan e o clima seria de tensão na cidade. Gbagbo refuta os resultados da eleição de novembro, o que causou violência e uma grave crise política no país.

Desde que a crise começou, em dezembro, a violência na Costa do Marfim forçou o deslocamento de 1 milhão e levou à morte de ao menos 473 marfinenses, segundo a ONU.

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU votou pela imposição de sanções aos aliados de Gbagbo, que se somam a restrições econômicas já impostas pela União Europeia e por grupos africanos.
A resolução da ONU impõe um veto a viagens dos membros do círculo de Gbagbo e o congelamento de bens do líder e de sua família.

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