FMI eleva projeção do PIB do Brasil e alerta para superaquecimento

Relatório do FMI diz que o PIB brasileiro vai crescer 7,5% em 2010

BBC Brasil |

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O FMI (Fundo Monetário Internacional) revisou mais uma vez para cima sua previsão de crescimento para a economia brasileira e voltou a falar em superaquecimento.

Segundo o relatório World Economic Outlook (Perspectivas da Economia Mundial), divulgado nesta quarta-feira, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro vai crescer 7,5% em 2010, um aumento de 0,4 ponto percentual sobre a projeção anterior, feita em julho.

A previsão do Fundo é semelhante à feita pelo mercado. O último boletim Focus (levantamento divulgado semanalmente pelo Banco Central com base em consultas ao mercado), publicado na segunda-feira, previa avanço de 7,55% no PIB do Brasil.

A estimativa está um pouco acima da estimativa do próprio Banco Central, que prevê crescimento de 7,3%.

Segundo o FMI, a América Latina está deixando a crise para trás em uma velocidade mais rápida do que o esperado, e a recuperação vem sendo liderada pelo Brasil, onde, diz o relatório, “a economia está agora dando sinais de superaquecimento”.

Esse risco de superaquecimento (crescimento da economia acima de sua capacidade) já era mencionado em dois relatórios anteriores.

No de abril, o FMI previa crescimento de 5,5% em 2010 e alertava para “risco de superaquecimento em países como o Brasil”.

No documento de julho, o Brasil não era citado especificamente, mas o Fundo novamente citava a possibilidade de superaquecimento ao mencionar os riscos oferecidos por medidas de ajuste fiscal nas economias avançadas.

Estímulo
De acordo com o relatório, o risco de superaquecimento em países da América Latina é particularmente presente nos casos em que a retirada das medidas de estímulo adotadas durante o auge da crise econômica leve mais tempo do que o previsto.

O governo brasileiro já disse repetidas vezes que toma todas as medidas necessárias para evitar um superaquecimento da economia brasileira.

Para o próximo ano, o Fundo prevê uma desaceleração na economia brasileira, com crescimento de 4,1%.
A estimativa é 0,1 ponto percentual menor do que a de julho e um pouco abaixo dos 4,5% previstos pelo mercado.

América Latina
O crescimento projetado para o Brasil em 2010 está acima da média mundial (4,8%) e da América Latina (5,7%).
Segundo o FMI, o avanço na América Latina vem sendo impulsionado pela melhora nas políticas macroeconômicas dos países da região nas duas últimas décadas.

Outros fatores, como os altos preços das commodities (base das exportações de muitos desses países) também têm impacto sobre o crescimento.

A previsão para os países emergentes contrasta com o quadro das economias avançadas, que devem crescer 2,7% em 2010 e 2,2% em 2011, segundo o FMI.

De acordo com o Fundo, na maioria das economias avançadas – e também em alguns países emergentes – a recuperação pós-crise vem ocorrendo a um ritmo lento, e o desemprego ainda representa um grande desafio.

“Na maioria das economias avançadas, baixos consumo e investimentos, juntamente com pouco avanço nas exportações, estão levando a um crescimento baixo”, disse o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, ao apresentar o relatório.

“Em contraste, em muitas economias emergentes, onde os excessos (que levaram à crise mundial) foram limitados e as cicatrizes foram poucas, consumo, investimentos e exportações estão todos contribuindo para o forte crescimento”, afirmou Blanchard.

Medidas
O FMI recomenda que os países adotem medidas para reequilibrar suas economias e, assim, garantir uma recuperação “saudável e sustentada”.

Entre as medidas internas sugeridas para as economias avançadas estão o estímulo ao aumento da demanda privada e a consolidação fiscal (aumento de impostos e corte de gastos).

Na área externa está o aumento das exportações para países como os Estados Unidos, que dependiam muito do mercado interno, e o aumento da demanda doméstica em países como a China, que, ao contrário, dependiam excessivamente de exportações.

O FMI diz ainda que os bancos centrais devem manter suas políticas monetárias (redução de taxas de juros) “onde quer que a demanda privada esteja fraca”.

Adverte, porém, que não há muito mais a fazer. Em muitos países, como os Estados Unidos, a taxa de juros já está próxima de zero, deixando pouco espaço para esse tipo de manobra.

O Fundo afirma ainda que os governos devem levar adiante as reformas no setor financeiro e criar planos de médio prazo que possibilitem a estabilização e a redução de suas dívidas.

Interconexão
No primeiro semestre deste ano, muitas economias avançadas, especialmente na zona do euro, foram atingidas por uma crise provocada por altos níveis de dívida pública e déficit em seus orçamentos.

“Todas essas peças estão interligadas. A menos que as economias avançadas possam contar com uma demanda privada mais forte, tanto doméstica quanto externa, vão ter dificuldades em atingir a consolidação fiscal”, disse Blanchard.

“E preocupações sobre o risco soberano (de não pagamento das dívidas) podem facilmente prejudicar o crescimento. E se o crescimento for interrompido nas economias avançadas, as economias emergentes enfrentarão dificuldades”, afirmou.

Segundo o economista, esse cenário mostra que uma ação coordenada parece ser ainda mais importante neste momento do que foi no auge da crise.

 

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