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Em carta, jovem pede que Nações Unidas envie comissão internacional para analisar caso de Sakineh Ashtiani

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Um dos filhos da iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento pelo crime de adultério, divulgou nesta quinta-feira uma carta endereçada às Nações Unidas (ONU), solicitando a ajuda do organismo internacional no caso.

"Pedimos à ONU que se envolva neste caso, que uma comissão neutra internacional seja enviada ao Irã para analisar todas essas questões", disse o jovem Sajjad, de 22 anos.

Reprodução de imagem de TV mostra iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani durante
Reprodução
Reprodução de imagem de TV mostra iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani durante "confissão" de participação em assassinato de marido
Na carta, o filho de Sakineh diz que "há cinco anos tem pesadelos com sua mãe sendo apedrejada" e que tem certeza de sua inocência. "Temos recorrido à comunidade internacional e às pessoas em todo o mundo que queiram nos ajudar", diz Sajjad.

A condenação de Sakineh vem provocando comoção na comunidade internacional, com pedidos para que o Irã reveja a punição, originalmente pela acusação de adultério. A previsão inicial era de que tanto a sentença final como a execução da pena ocorreriam ainda nesta semana.

'Confissão'

Na noite desta quarta-feira, a TV estatal iraniana levou ao ar uma suposta entrevista com Sakineh, em que a iranina admite ter conspirado para matar o marido. A "confissão" foi condenada pela Anisitia International, organização de defesa dos direitos humanos.

De acordo com a ONG, "confissões desse tipo (transmitidas pele televisão) têm sido repetidamente usada pelas autoridades iranianas para incrimar pessoas que estão sob custódia". Ainda segundo a Anistia, muitos desses indivíduos acabam "retirando" a confissão tempos depois, com o argumento de que foram "coagidos, às vezes sob tortura".

Asilo

O governo brasileiro confirmou, na última terça-feira, ter feito uma oferta "formal" de asilo à iraniana, mas segundo o Itamaraty, Teerã ainda não deu retorno sobre a proposta. Mas em entrevista à Agência Brasil nesta quinta-feira, o embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, negou que seu governo tenha recebido uma oferta formal do Brasil de asilo a Sakineh.

"Nós não recebemos de forma oficial pedido ou oferta alguma [de asilo ou refúgio político] para esta senhora ser enviada para o Brasil. Não houve ofício por escrito, nota oral ou troca de notas, como é a orientação na diplomacia em casos assim", disse o embaixador à agência.

O embaixador também descartou o envio de Sakine ao Brasil, com o argumento de que a mulher condenada é iraniana, o que, segundo ele, "elimina a possibilidade de outro país ser incluído no processo".

Consultado pela BBC Brasil, o Itamaraty disse que não comentaria como a oferta foi feita - se por ofício ou verbalmente. Nesta quinta-feira, o chanceler Celso Amorim reiterou a "disposição" brasileira em receber a iraniana e que "isso, para nós (do governo brasileiro), é uma comunicação oficial".

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