FBI vai ajudar a investigar vazamento de documentos secretos

Documentos revelam falta de registro da morte de civis, operações sigilosas contra líderes taleban e papel do Paquistão na guerra

BBC Brasil |

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O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, disse nesta quinta-feira que o FBI (a polícia federal americana) foi chamado a ajudar nas investigações sobre o vazamento de milhares de documentos secretos a respeito da guerra no Afeganistão.

“Na quarta-feira eu telefonei para o diretor do FBI, Robert Mueller, e pedi a ajuda do FBI na nossa investigação”, disse Gates, em entrevista a jornalistas em Washington. Segundo o secretário, é importante reunir todos os recursos necessários para investigar a quebra de segurança nacional.

“Este departamento está conduzindo uma investigação minuciosa e agressiva para determinar como esse vazamento ocorreu, identificar a pessoa ou as pessoas responsáveis e avaliar o conteúdo das informações comprometidas”, afirmou.

Consequências

Segundo Gates, as consequências do vazamento dos cerca de 91 mil documentos secretos – divulgados no domingo pelo site Wikileaks e publicados na imprensa internacional – são perigosas para as tropas americanas, assim como seus aliados e parceiros afegãos.

“E também podem prejudicar nossos relacionamentos e nossa reputação naquela parte do mundo”, afirmou o secretário. “Fontes de inteligência e métodos, assim como táticas militares, técnicas e procedimentos serão conhecidas por nossos adversários”, disse Gates.

Gates disse que o Departamento de Defesa está tomando as providências para impedir que esse tipo de episódio ocorra novamente, com o aumento da segurança nos procedimentos de acesso e transporte de informação secreta.

O secretário afirmou ainda que o episódio deve forçar as Forças Armadas a revisar o modo como repassa informações de inteligência a suas tropas na linha de frente. “Na esteira desse incidente, será um desafio real conseguir o equilíbrio perfeito entre garantir a segurança e fornecer as informações necessárias às nossas tropas na linha de frente”, disse Gates.

Documentos

Os documentos cobrem o período de janeiro de 2004 a dezembro de 2009 e trazem, entre outros dados, informações sobre mortes de civis causadas por forças americanas. Também trazem acusações de envolvimento do serviço de inteligência o Paquistão com o grupo extremista Talebã no Afeganistão – alegação negada pelo governo paquistanês.

O fundador do Wikileaks, Julian Assange, disse que o objetivo do vazamento foi gerar um debate sobre a guerra. Assange afirmou também que tentou assegurar que o material vazado não colocasse pessoas “inocentes” em risco e que deixou de divulgar cerca de 15 mil documentos.

No entanto, o chefe do Estado Maior das Forças Armadas americanas, o almirante Mike Mullen, disse que Assange tem “sangue nas mãos”.

“O senhor Assange pode dizer o que quiser sobre o bem maior que ele e sua fonte pensam estar fazendo, mas a verdade é que eles talvez já tenham em suas mãos o sangue de alguns jovens soldados e de uma família afegã”, disse Mullen.

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