Farc entregam restos mortais de refém e finalizam libertações unilaterais

Os restos mortais do major da polícia colombiana Julian Ernesto Guevara, morto há quatro anos, foram entregues nesta quinta-feira pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) a uma missão humanitária. O porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) Adolfo Beteta, confirmou a entrega.

BBC Brasil |

"A primeira etapa desta última operação se cumpriu", afirmou Beteta no aeroporto de Villavicencio, capital do departamento (Estado) de Meta.

A missão humanitária que viajou ao interior da selva colombiana para o resgate deve chegar nas próximas horas a Villavicencio a bordo do helicóptero brasileiro, que foi cedido para a operação.

Os restos do policial, morto em 2006 aos 41 anos, quando era refém da guerrilha, serão entregues pelo CICV à família Guevara. Em uma sala do aeroporto de Villavicencio, o bispo católico Leonardo Gómez Serna deve rezar uma missa em homenagem ao oficial.

Identificação
Em seguida, os restos do corpo serão levados ao instituto Médico Legal em Bogotá, onde serão realizados exames de DNA para comprovar que os restos entregues pela guerrilha aos familiares correspondem aos do major Guevara.

Segundo o Alto Comissionado para a Paz na Colômbia, Frank Pearl, os médicos forenses trabalharão "dia e noite" para que em sete dias os trabalhos de identificação sejam concluídos.

Se confirmada sua identidade, a família Guevara deverá realizar o funeral no mausoléu da Polícia colombiana.

"Esperamos que agora comece um novo ciclo. Devemos ter força", afirmou Emperatriz Guevara, mãe do policial, que se tornou um dos ícones da luta dos familiares pela libertação dos reféns da guerrilha, em entrevista ao jornal El Tiempo.

Participaram da missão de resgate a senadora colombiana Piedad Córdoba, principal mediadora com a guerrilha, um representante da Cruz Vermelha Internacional, o bispo católico Leonardo Gómez Serna, além dos militares brasileiros que colaboram com a missão.

Guevara foi sequestrado em novembro de 1998, durante uma ofensiva da guerrilha na cidade de Mitú, no departamento (Estado) de Vaupés, no sudeste colombiano.

Na ocasião, a guerrilha controlou a cidade de mais de 15 mil habitantes por mais de 72 horas e sequestrou 61 policiais.

Deste grupo, alguns oficiais foram libertados durante o acordo humanitário realizado em 2001. Guevara, no entanto, permaneceu em cativeiro. Em 2006, as Farc emitiram um comunicado anunciando sua morte, em consequência de problemas de saúde.

Libertações
Com este resgate, as Farc encerram o processo de libertações unilaterais e incondicionais que vinham ocorrendo desde o ano passado, quando seis reféns foram soltos.

Há dois dias, depois de 12 anos de cativeiro, foi libertado o militar Pablo Emilio Moncayo, considerado o refém mais antigo das Farc juntamente com o soldado libio José Martínez Estrada, que ainda permanece como refém. No domingo, foi solto o soldado Josué Daniel Calvo, após 11 meses de sequestro. Ambos resgates contaram com o apoio do Brasil.

A partir de agora, a guerrilha pretende negociar com o governo de Álvaro Uribe um acordo humanitário cuja base é a libertação de 22 oficiais que ainda estão em seu poder em troca da libertação de centenas de rebeldes presos.

Uribe disse estar disposto a negociar com a guerrilha, sob a condição de que os rebeldes soltos abandonem definitivamente a luta armada.

Pouco antes de iniciar o voo até o local de resgate, na manhã desta quinta-feira, a senadora colombiana Piedad Córdoba voltou a insistir na necessidade de acelerar as negociações para que o acordo humanitário seja concretizado antes do término do mandato de Uribe, que deve deixar a Presidência em 7 de agosto.

"Vamos colocar o pé no acelerador do intercâmbio (humanitário) nesses poucos dias que restam de governo. A paz na Colômbia é possível", afirmou a senadora.

Desde que assumiu o poder, em 2002, Uribe, que conta com apoio político, financeiro e militar dos Estados Unidos, tem empreendido uma dura ofensiva contra as guerrilhas. A base que estrutura sua política de Segurança Democrática é a saída militar e não negociada para acabar com a guerra no país.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG