Europa pode estar próxima de pacote de socorro à Grécia

Representantes da Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia, afirmam estar muito próximos de um acordo por um pacote multibilionário de socorro econômico à Grécia. O plano poderia ser apresentado já na segunda-feira e ajudaria a reduzir o custo de empréstimos para o país, afundado em um grave déficit orçamentário, além de estabilizar o euro, que vem sendo abalado pelo problema.

BBC Brasil |

Empréstimos e garantias ao governo grego vêm sendo objeto de intensas negociações, mesmo depois de o país ter anunciado um pacote de austeridade que enfrenta muita oposição doméstica.

Embora a Grécia ainda não tenha pedido empréstimos, sabe-se que o país tem um déficit de cerca de 300 bilhões de euros (quase R$ 730 bilhões) e precisa levantar 20 bilhões de euros em títulos em abril e maio para refinanciar a sua dívida.

A Alemanha e a França seriam os principais articuladores do pacote, que não teria contribuições da Grã-Bretanha nem de outros países europeus que não fazem parte da Zona do Euro.

Alemanha
O socorro poderia chegar a até 25 bilhões de euros, de acordo com representantes europeus, e teria de ser construído de forma a driblar as regras europeias que atualmente proíbem socorro para países à beira da falência.

Qualquer tipo de socorro, no entanto, deve encontrar grande oposição na população alemã, majoritariamente contrária a uma ajuda à Grécia.

Existem até ameaças de questionar uma eventual decisão por um pacote até o Supremo Tribunal da Alemanha.

"A comissão está pronta para agir se necessário. O trabalho técnico está em andamento e ainda não foi concluído. Todo o resto é especulação", disse neste sábado o porta-voz da Comissão Europeia, Jonathan Todd.

A Grécia já deu indícios de que poderá recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas analistas afirmam que outros países da União Europeia seriam contrários a isso, preferindo uma solução interna do bloco.

Internamente, o pacote de austeridade anunciado pelo governo grego vem enfrentando muitos protestos.

Violência
Na sexta-feira, manifestantes entraram em confronto com a polícia na capital, Atenas.

A violência explodiu quando o líder do maior sindicato grego Yannis Panagopoulos foi atacado por três pessoas durante seu discurso à multidão.

Logo após o ataque, imagens de tevê mostraram a polícia atirando gás lacrimogêneo contra o veterano político de esquerda Manolis Glezo, de mais de 80 anos.

Glezos é um dos maiores ícones políticos gregos. Ele ficou conhecido durante a 2ª Guerra Mundial, quando escalou os muros da Acrópole para retirar o símbolo da suástica durante a ocupação nazista.

Além dos protestos, outras manifestações estão previstas contra o plano de austeridade do governo. As duas maiores centrais sindicais gregas convocaram uma greve geral para o próximo dia 11, alegando que o plano seria "antipopular" e "bárbaro".

Uma pesquisa de opinião indica que 90% dos gregos são contra o plano aprovado pelo Parlamento grego, que inclui aumento de impostos, congelamento de pensões e corte de gastos. A meta do governo é reduzir o risco de a Grécia não conseguir pagar suas dívidas.

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