EUA temiam que Paquistão alertasse Bin Laden, diz diretor da CIA

Em entrevista à Time, Leon Panetta disse que qualquer esforços para trabalho em equipe com paquistaneses poderia colocar em risco a missão

BBC Brasil |

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AFP
Panetta ao lado de Obama, durante aúncio da presidência americana sobre mudanças na agência de inteligência (28/4/2011)
O diretor da agência central de inteligência americana (CIA), Leon Panetta, disse em entrevista à revista Time divulgada nesta terça-feira que os Estados Unidos temiam que o Paquistão colocasse em risco a operação que levou à morte de Osama bin Laden ao vazar informações para a rede extremista Al-Qaeda.

Em sua primeira entrevista desde a morte de Bin Laden, Panetta deu mais detalhes sobre a missão, realizada por forças especiais americanas no Paquistão, no domingo. Ele disse que, meses atrás, o governo americano chegou a considerar expandir a operação, incluindo outros países, entre eles o Paquistão – aliado dos Estados Unidos. No entanto, segundo Panetta, a CIA descartou essa opção.
"Foi decidido que qualquer esforço para trabalhar com os paquistaneses poderia colocar em risco a missão. Eles poderiam alertar os alvos", disse o diretor da CIA à revista.

Detalhes

Na entrevista, o diretor da CIA – que irá substituir Robert Gates como secretário de Defesa, no fim de junho – disse que se reuniu na terça-feira passada com um grupo de 15 assessores para analisar a credibilidade das informações sobre o local em que Bin Laden estava escondido.

Segundo Panetta, havia "evidências circunstanciais" de que o líder da Al-Qaeda vivia escondido em uma mansão na cidade de Abbottabad, a cerca de 100 quilômetros da capital do Paquistão, Islamabad. Não havia, porém, imagens de Bin Laden ou de membros de sua família.

O diretor da CIA disse à Time que nem todos os assessores reunidos estavam convencidos de que Bin Laden realmente vivia no local. Ele, porém, decidiu defender a realização da missão em uma reunião com o presidente americano, Barack Obama, na quinta-feira passada. No dia seguinte, Obama autorizou o ataque.

Segundo a revista, ao dar as ordens ao general William McRaven, comandante das forças especiais, Panetta disse que a missão era "entrar lá e pegar Bin Laden, e se Bin Laden não estiver lá, dar o fora".

A revista relata ainda a tensão durante a operação, assistida em tempo real por Panetta, Obama e outros membros do governo. O diretor da CIA disse que somente quando McRaven disse ter finalmente identificado "Geronimo" (codinome usado pelos americanos para se referir a Bin Laden) a equipe respirou aliviada.

De acordo com o diretor da CIA, as forças americanas recolheram uma grande quantidade de material do complexo onde Bin Laden vivia, inclusive computadores, e uma força-tarefa foi criada para analisar esses novos dados.

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