EUA: Israel deve liderar investigação sobre ataque

Em meio a uma onda de condenações internacionais, Hillary pediu para que as reações sejam mais "cuidadosas e pensadas"

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Hillary Clinton concede entrevista coletiva nesta terça-feira
A investigação sobre o ataque israelense a embarcações que levavam ajuda humanitária à Faixa de Gaza e matou pelo menos dez ativistas deve ser liderada por Israel e conduzida de forma imparcial e transparente, disse a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, nesta terça-feira.

"Apoiamos nos mais fortes termos o pedido do Conselho de Segurança (da ONU) por uma investigação imediata, imparcial, de credibilidade e transparente", afirmou Hillary. "Apoiamos uma investigação israelense que cumpra estes critérios. Estamos abertos a formas diferentes para garantir que a investigação tenha credibilidade, incluindo a participação internacional", acrescentou Hillary, sem entrar em detalhes.

Em meio a uma onda de condenações internacionais ao ataque, a secretária de Estado americana pediu para que as reações sejam mais "cuidadosas e pensadas". "Creio que a situação, da nossa perspectiva, é muito difícil e requer cuidadosas e pensadas respostas de todos os envolvidos", disse Hillary Clinton.

Cobrança

A secretária de Estado americana fez as declarações horas depois de se encontrar com o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu.

Estima-se que a Turquia seja o país com o maior número de vítimas entre os ativistas mortos na operação militar de Israel. No encontro com Hillary, o chanceler turco cobrou dos Estados Unidos uma condenação veemente ao ataque.

"Alguns de nossos aliados não estão prontos para condenar as ações israelenses. Esperamos solidariedade total conosco", disse Davutoglu, comparando o ataque com os atentados sofridos pelos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001. "Essa não deve ser uma questão de escolha entre Turquia e Israel, mas, sim, entre o certo e o errado", acrescentou o ministro turco.

Hillary Clinton disse que o incidente trouxe à luz a "insustentável e inaceitável" situação na Faixa de Gaza, território palestino sujeito a um bloqueio israelense desde que o Hamas assumiu o controle na região, em 2007.

"As legítimas necessidades de segurança israelenses devem ser atendidas, assim como as legítimas necessidades palestinas de assistencia humanitária e acesso regular a materiais de construção", afirmou a americana.

Hillary voltou a ressaltar a necessidade da criação de um Estado palestino e disse que o negociador americano George Mitchell deve viajar ao Oriente Médio nesta semana para tentar retomar negociações indiretas entre israelenses e palestinos, apesar do incidente.

Ativistas detidos

Em Israel, o gabinete do primeiro-ministro do país, Binyamyn Netanyahu, anunciou nesta terça-feira que todos os quase 700 ativistas detidos vão ser deportados.

Os ativistas, que planejavam furar o bloqueio imposto por Israel a Gaza, foram presos na madrugada de segunda-feira, durante a polêmica operação militar israelense em águas internacionais. Pelo menos dez ativistas foram mortos na ação das forças de Israel.

O governo de Israel diz que as tropas israelenses agiram em defesa própria no episódio, depois de serem atacadas. Os ativistas insistem que os soldados israelenses abriram fogo sem qualquer provocação.

Um diplomata brasileiro da embaixada em Tel Aviv disse à BBC Brasil esperar que a cineasta brasileira Iara Lee, que estava entre os detidos, possa deixar o país nos próximos dias.

Com o aumento da pressão internacional pelo fim do bloqueio de Israel a Gaza, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, ordenou nesta terça-feira a abertura da fronteira do Egito com a cidade de Rafah, na Faixa de Gaza.

O governo egípcio afirmou que o objetivo da medida é permitir a entrada de ajuda humanitária no território palestino, mas não esclareceu se a decisão será permanente ou temporária.

O posto de controle de Rafah é a única parte da fronteira de Gaza que não é controlada por Israel. O governo egípcio enfrenta oposição interna por participar do bloqueio ao território palestino imposto por Israel desde que o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza. Desde então, a fronteira em Rafah tem sido aberta apenas esporadicamente.

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