EUA e Rússia realizam maior troca de espiões pós-Guerra Fria

Troca realizada no aeroporto de Viena, na Áustria, envolveu 10 espiões russos e quatro americanos

BBC Brasil |

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Os Estados Unidos e a Rússia concluíram nesta sexta-feira no aeroporto de Viena, na Áustria, a maior troca de espiões já realizada após a Guerra Fria. Um avião fretado pelo governo dos Estados Unidos pousou pela manhã no aeroporto trazendo a bordo as dez pessoas que admitiram ser espiões "de um governo estrangeiro". Um outro avião trouxe quatro espiões condenados na Rússia e que receberam um perdão do presidente, Dimitri Medvedev. Os aviões, um Boeing 767-200 da empresa Vision Airlines e um modelo russo Yakolev Yak-42, estacionaram lado a lado no aeroporto.

Imagens de televisão mostraram escadas de avião cobertas sendo levadas aos aviões - mas não foi possível ver os espiões sendo transferidos. As aeronaves decolaram em seguida. Não se sabe o destino que os aviões tomaram. Entretanto, um representante do governo russo disse à agência France-Press que os agentes deportados dos Estados Unidos eram aguardados em Moscou nesta sexta-feira.

© AP
Imagem de avião usado para troca de espiões entre Estados Unidos e Rússia
O ministério do Exterior russo confirmou a troca, dizendo que ela representava "o retorno à Rússia de 10 cidadãos russos acusados nos Estados Unidos, juntamente com a transferência simultânea para os Estados Unidos de quatro indivíduos previamente condenados na Rússia". Identidades Os dez agentes russos acusados nos Estados Unidos confessaram ter agido como "agentes ilegais de um governo estrangeiro dentro dos Estados Unidos" em uma corte de Nova York.

O Kremlin informou as identidades dos quatro agentes condenados na Rússia : Igor Sutyagin, cientista nuclear preso em 2004 por espionar para a CIA Sergei Skripal, um oficial da Inteligência militar russa condenado em 2006 por espionar para o Reino Unido Alexander Zaporozhsky, ex-empregado dos serviços de Inteligência no exterior preso por espionagem em 2003 Gennadiy Vasilenko, ex-agente da KGB.

Após as confissões no tribunal em Nova York, o juiz responsável pelo caso descartou as outras acusações que pesavam contra os dez suspeitos - entre elas a de lavagem de dinheiro - e ordenou a sua deportação imediata do país, o que seria fruto de um acordo em troca das confissões.

Durante a audiência, na quinta-feira, sete dos suspeitos revelaram seus verdadeiros nomes e admitiram serem agentes da Rússia. "Richard Murphy" e "Cynthia Murphy" admitiram que eram cidadãos russos chamados Vladimir Guryev e Lydia Guryev "Donald Howard Heathfield" e "Tracey Lee Ann Foley" eram cidadãos russos chamados Andrey Bezrukov e Elena Vavilova "Juan Lazaro" admitiu ser o cidadão russo Mikhail Vasenkov "Michael Zottoli" e "Patricia Mills" admitiram ser os cidadãos russos.

Outros três, que também confessaram serem agentes, operavam nos Estados Unidos com seus nomes verdadeiros: Anna Chapman, Mikhail Semenko e Vicky Pelaez. Pelaez, nascida no Peru, era a única dos dez acusados que não tinha nacionalidade russa. Um 11º suspeito está foragido, após ter sido liberado sob fiança no Chipre, onde havia sido preso.

Espiões

Presos em uma grande operação do FBI e outros órgãos de inteligência americanos em 27 de junho, os dez suspeitos foram acusados pela Promotoria de se passarem por cidadãos comuns para, sob as ordens dos serviços de inteligência russos, se infiltrarem em círculos políticos influentes dos EUA e coletar informações.

O Departamento de Estado americano afirmou que "a rede de agentes ilegais" foi desmantelada após "anos de investigação", mas que "nenhum benefício significativo para a segurança nacional" dos EUA "seria trazido pelo encarceramento prolongado destes dez agentes".

De acordo com o governo americano, a decisão de trocar os suspeitos pelos prisioneiros que estão na Rússia foi tomada com base em razões "humanitárias e de segurança nacional". "Os Estados Unidos tomaram vantagem da oportunidade apresentada para assegurar a libertação de quatro indivíduos que estão servindo em longas penas de prisão na Rússia, muitos dos quais estão em condições da saúde ruins", diz um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado.

Prisioneiros

Um dos prisioneiros libertados pela Rússia devido à troca com os EUA, o cientista nuclear Igor Sutyagin, estava em uma prisão próxima ao Círculo Polar Ártico, mas que foi recentemente transferido para Moscou. Ele foi preso em 2004, acusado de ser um agente da CIA, o serviço de inteligência dos EUA.

Em entrevista à BBC, o irmão de Sutyagin, Dmitry, afirmou que ele teria sido avisado pelas autoridades russas de que seria trocado como parte do acordo, e que autoridades americanas estariam presentes neste momento.

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