EUA e Polônia assinam acordo para base de defesa antimísseis

Base de mísseis faz parte da versão reformulada do sistema de escudo de defesa antimísseis planejado pelos EUA no leste da Europa

BBC Brasil |

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Os Estados Unidos e a Polônia assinaram um acordo para instalar uma base militar americana de defesa em território polonês neste sábado. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, chegou à Polônia para participar da assinatura. A base de mísseis faz parte da versão reformulada do controverso sistema de escudo de defesa antimísseis planejado pelos EUA no leste da Europa. A Rússia se opõe à base americana na Polônia.

Na cerimônia, Hillary Clinton afirmou que o novo acordo não ameaça a Rússia. A secretária de Estado chegou a Varsóvia vinda da Ucrânia, a primeira escala de sua visita a países do leste europeu. Da Polônia, ela seguirá para o Azerbaijão, Armênia e Geórgia.

AFP
Hillary Clinton fecha acordo com o ministro de Negócios Estrangeiros, Radoslaw Sikorski
Gás do xisto

Na cerimônia de assinatura, Hillary Clinton afirmou que o acordo vai "proteger a Polônia e nossos aliados de ameaças crescentes, como o Irã". "Este é um sistema puramente de defesa. Não está direcionado à Rússia. Não ameaça a Rússia", acrescentou.

A Polônia havia fechado um acordo com o governo anterior de George W. Bush de sediar uma base militar americana permanente, além de mísseis, em uma pista aérea desativada em Redzikowo, perto da costa do Mar Báltico.

O acordo foi reformulado, levando em consideração mudanças propostas pelo presidente americano Barack Obama. Obama suspendeu os planos anteriores de construir um escudo de defesa antimísseis na Polônia e República Checa. A Rússia elogiou a suspensão do plano, mas ainda se opõe à base na Polônia.

Recentemente, o governo russo declarou que "não entendia a lógica e o foco da cooperação entre os EUA e a Polônia nesta esfera". Hillary Clinton afirmou que a porta ainda está aberta para a Rússia participar dos planos de defesa antimísseis, mas que, até agora, "a resposta não tem sido positiva".

O correspondente da BBC em Varsóvia Adam Easton afirma que Washington reavaliou a ameaça de países como o Irã e criou um sistema de defesa de mísseis mais flexível. Segundo ele, em vez de sistemas antimísseis fixos, capazes de derrubar mísseis intercontinentais, a partir de 2018 serão instalados sistemas móveis, que poderão derrubar mísseis a qualquer distância.

A secretária de Estado americana ainda discutiu as reservas de gás do xisto na Polônia. De acordo com Easton, se forem descobertos grandes depósitos na Polônia, isso poderia alterar radicalmente a segurança de energia na Europa, atualmente grande dependente do gás russo.

Ambições na Otan

Em sua visita à Ucrânia, Hillary Clinton afirmou que a porta da Otan permanece aberta ao país. Depois da eleição do presidente Viktor Yanukovych, visto como muito mais pró-Rússia, o Parlamento da Ucrânia aprovou uma medida reafirmando o status de não alinhado do país, efetivamente rejeitando qualquer ambição de se unir à Otan.

"A Ucrânia é um país soberano e independente que tem o direito de escolher suas próprias alianças e a porta da Otan permanece aberta." "Mas cabe à Ucrânia decidir se deseja, ou não, seguir este caminhou, ou outro, em nome de seu próprio interesse de segurança."

No Azerbaijão e na Armênia, Hillary Clinton deverá pressionar por uma resolução dos conflitos na região e tentar reforçar o acesso americano a uma rota terrestre usada para levar suprimentos para tropas no Afeganistão, disse o correspondente da BBC em Kiev David Stern.

Na Geórgia, a secretária de Estado tentará acalmar as autoridades, afirmando que o governo do presidente Mikhail Saakashvili ainda conta com o apoio americano, apesar de os Estados Unidos estarem tentando melhorar as relações com a Rússia.

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