EUA abrem inquérito criminal sobre vazamento no Golfo do México

Secretário diz que será "extremamente rigoroso" com culpados pelo desastre

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O governo dos Estados Unidos ordenou nesta terça-feira a abertura de um inquérito civil e criminal sobre o vazamento de petróleo provocado em abril por uma explosão em uma plataforma da empresa petrolífera BP no Golfo do México.

O secretário de Justiça americano, Eric Holder, afirmou que qualquer um que comprovadamente tiver violado as leis do país no episódio será indiciado.

"Vamos examinar de perto as ações dos envolvidos no vazamento", disse Holder. "Se encontrarmos prova de comportamento ilegal, vamos ser extremamente rigorosos em nossa resposta."

Em sua primeira visita à região atingida, o chefe do Departamento de Justiça americano acrescentou ainda que as empresas envolvidas já receberam a ordem de preservar os registros sobre suas operações.

Horas antes do anúncio da abertura dos novos inquéritos, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que é preciso realizar uma avaliação ampla sobre como a indústria do petróleo opera no país e como as agências do governo americano supervisionam essas operações.

Obama descreveu o vazamento como "o maior desastre ambiental deste tipo" nos Estados Unidos e reforçou a promessa do governo americano de que os responsáveis serão punidos.

Nova tentativa

Em meio ao anúncio da nova investigação pelo governo americano, a BP anunciou nesta terça-feira que deu início a uma nova tentativa para controlar o vazamento, que despejou milhões de litros de petróleo no Golfo do México.

De acordo com o chefe de operações da empresa, Doug Suttles, a expectativa é de que o vazamento seja contido dentro de 24 horas.

A nova operação da BP, lançada nesta terça-feira, utiliza robôs submarinos com o objetivo de cortar o oleoduto danificado e instalar uma cápsula de contenção para desviar o petróleo do vazamento para um lugar apropriado na superfície.

"Se tudo der certo, dentro das próximas 24 horas, podemos ter isso contido", afirmou Suttles.

Em seguida, o funcionário da BP preferiu manter a cautela e disse que o sucesso da operação não está garantido, lembrando que tudo está sendo feito "a mais de 1,5 mil metros debaixo d'água, e coisas muito pequenas levam um tempo longo para ser consertadas".

A empresa já gastou mais de US$ 940 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão) nas tentativas de conter o vazamento - até agora, todas elas fracassaram.

Previsão do tempo

Ao mesmo tempo em que a BP tenta conter o vazamento, a agência americana que monitora a atividade oceânica e atmosférica - a NOAA - alertou que a previsão de fortes ventos nesta semana pode mover a mancha de petróleo da costa do Estado da Louisiana para o Mississippi e o Alabama.

A terça-feira marcou também o início da temporada de furacões na região - a NOAA prevê que até 14 furacões sejam registrados e que entre três e sete deles sejam tempestades intensas, com ventos de mais de 170 km/h.

O vazamento na plataforma da BP já despejou mais de 76 milhões de litros de petróleo no Golfo do México e atingiu uma faixa de mais de 110 quilômetros da costa da Louisiana.

A explosão que deu início ao vazamento na plataforma Deepwater Horizon deixou 11 mortos.

O episódio colocou o governo Obama sob grande pressão para evitar danos ainda maiores ao meio ambiente e um impacto econômico ainda mais grave na região.

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