Estados Unidos enviam tropas para combater guerrilha em Uganda

Exército de Resistência do Senhor é acusado de cometer violações aos direitos humanos há 20 anos e o líder é procurado pelo TPI

BBC |

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O governo americano anunciou nesta sexta-feira ter enviado mais de 100 soldados para a Uganda, para ajudar nas operações de combate ao grupo guerrilheiro Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês).

AP
Família da Uganda senta à porta de casa e posa para a foto (1/10)

O LRA é acusado de cometer violações de direitos humanos durante as últimas duas décadas em Uganda e em países vizinhos, deixando milhares de mortos. Entre as acusações, há crimes como assassinatos em massa, estupros e sequestros. O líder do grupo, Joseph Kony, é procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade.

Ao anunciar o envio das tropas nesta sexta, o presidente americano, Barack Obama, disse que as atrocidades cometidas pelo LRA representam uma "ameaça desproporcional" à segurança regional.

Em uma carta ao Congresso americano, Obama afirmou que o objetivo principal dos soldados seria dar informações e orientações para "forças de nações parceiras". Um grupo de militares já está em Uganda e pode ser enviado para outros países da África central, caso os governos regionais aprovem a intervenção.

'Captura ou morte'

"Eu autorizei o envio à África central de um pequeno número de soldados americanos equipados para o combate para dar auxílio às forças regionais que estão trabalhando para a remoção de Joseph Kony do campo de batalha", escreveu Obama.

Mas o presidente ressaltou que "apesar de estarem equipadas para o combate, eles (os soldados) não irão enfrentar diretamente as forças da LRA a não ser que seja necessário como autodefesa".

Obama não deu detalhes sobre a duração da operação, mas um porta-voz do Exército americano disse à BBC que "as tropas estão preparadas para ficar o tempo que for necessário para capacitar as forças regionais a continuarem de maneira independente".

Segundo a BBC, a equipe usará equipamento de alta tecnologia para ajudar no que os analistas descrevem como uma política de "morte ou captura". O envio de soldados foi anunciado com base em uma lei aprovada em maio de 2010, que autoriza o governo a dar assistência para desarmar o LRA e levar seu líder para a justiça. A política segue a teoria de que, sem o líder, o movimento pode entrar em colapso internamente.

Procurados

A atuação do grupo no norte de Uganda deixou pelo menos 30 mil mortos e 2 milhões de desabrigados durante mais de 20 anos. O LRA é conhecido por sequestrar crianças, forçando os meninos a se tornarem guerrilheiros e as meninas a serem escravas sexuais.

O grupo é considerado uma organização terrorista pelo governo americano e opera principalmente em países vizinhos da Uganda, como a República Democrática do Congo, o Sudão do Sul e a República Centro-Africana.

Joseph Kony e seus aliados próximos são procurados pelo TPI desde 2005. Ele se recusou a assinar um acordo de paz com o governo da Uganda em 2008, quando o país não conseguiu garantir a anulação dos mandatos de prisão do TPI.

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