Estado de exceção compromete vendas em cidade paraguaia

Decretado há pouco mais de uma semana pelo governo do Paraguai sob a justificativa de combater a atuação de um grupo armado intitulado EPP (Exército do Povo Paraguaio), o estado de exceção em vigor em cinco Departamentos (Estados) do país está trazendo prejuízos para os comerciantes de Pedro Juan Caballero e divide opiniões entre os habitantes da cidade, polo de atração dos chamados sacoleiros e de turistas em busca de compras. Oito dias após o atentado contra o senador Robert Acevedo, que matou seu motorista e seu segurança particular, as ruas de Pedro Juan Caballero aparentam tranquilidade e, apesar dos contingentes de militares paraguaios enviados para a região, apenas poucos policiais fazem patrulhas durante o dia.

BBC Brasil |

Decretado há pouco mais de uma semana pelo governo do Paraguai sob a justificativa de combater a atuação de um grupo armado intitulado EPP (Exército do Povo Paraguaio), o estado de exceção em vigor em cinco Departamentos (Estados) do país está trazendo prejuízos para os comerciantes de Pedro Juan Caballero e divide opiniões entre os habitantes da cidade, polo de atração dos chamados sacoleiros e de turistas em busca de compras. Oito dias após o atentado contra o senador Robert Acevedo, que matou seu motorista e seu segurança particular, as ruas de Pedro Juan Caballero aparentam tranquilidade e, apesar dos contingentes de militares paraguaios enviados para a região, apenas poucos policiais fazem patrulhas durante o dia. Na região do centro comercial de Pedro Juan Caballero, separada da cidade brasileira de Ponta Porã apenas por uma avenida, no entanto, o movimento de compradores está abaixo do normal, segundo alguns comerciantes ouvidos pela BBC Brasil. Parte desta queda segundo eles, deve-se às notícias sobre a insegurança na região e ao temor de que a presença policial leve a uma maior fiscalização da entrada de produtos no Brasil. Movimento O comerciante libanês Hassan Melhem, por exemplo, dono de uma loja de produtos eletrônicos que fica a apenas alguns metros da fronteira, afirma que houve uma queda de cerca de 80% no movimento de seu estabelecimento. Segundo ele, embora a queda já estivesse sendo registrada há algumas semanas, o movimento diminuiu ainda mais desde que o estado de exceção entrou em vigor. "Para quem quer trabalhar está ruim", diz. Outro que reclama da queda nas vendas após a entrada em vigor da medida do governo é o paraguaio Lídio Peralta, responsável por uma pequena barraca que vende ferramentas e outros utensílios. "Diminuiu muito, os sacoleiros não estão vindo mais", diz Peralta, que afirma faturar normalmente entre R$ 300 e R$ 500 por dia com a venda de seus produtos. "Hoje estou vendendo R$ 100, se vender", diz. Segurança Embora grande parte dos comerciantes reclamem do estado de exceção - que permite que membros do Exército paraguaio atuem no combate à criminalidade - alguns parecem não ter sido afetados pela medida. O brasileiro José Luiz Bondiman, que há cerca de trinta anos vive no lado paraguaio da fronteira, onde mantém uma loja de tecidos, diz que não registrou queda nas vendas de seu estabelecimento. "Não posso afirmar que caiu. Muitos clientes vieram perguntar se a loja ficaria fechada, o que não aconteceu", diz Bondiman, que afirma que o estado de exceção não está afetando a vida na cidade. "Mesmo no dia seguinte ao atentado (contra Acevedo), eu não vi um maior policiamento. Eles estão mais na periferia, procurando os traficantes". Capital do Departamento paraguaio de Amambay, Pedro Juan Caballero é considerada uma rota para a entrada de drogas no Brasil e narcotraficantes estão entre os principais suspeitos pelo atentado contra o senador Robert Acevedo, no último dia 26 de abril. Para o comerciante paraguaio Carlos Silva, apesar da queda nas vendas, a presença das forças paraguais na região aumentou a sensação de segurança. "É bom, dá pra sair mais à noite", diz Silva, que afirma que tinha mais "receio" de sair antes que a medida entrasse em vigor.

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