Esposa de Nobel da Paz estaria sob prisão domiciliar

Grupo americano Freedom Now, de defesa dos direitos humanos, disse que Liu vem sendo impedida de deixar sua casa em Pequim

BBC Brasil |

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A esposa do vencedor do Prêmio Nobel da Paz 2010, o dissidente chinês Liu Xiaobo, estaria em prisão domiciliar após ter visitado seu marido em uma prisão no noroeste do país. Liu Xia disse que seu marido chorou durante o encontro na prisão, dedicando o prêmio aos "mártires da Praça da Paz Celestial de 1989".

O grupo americano Freedom Now, de defesa dos direitos humanos, disse que Liu vem sendo impedida de deixar sua casa em Pequim desde que voltou da visita ao marido, no domingo. "Esperamos que líderes mundiais condenem imediatamente este ato vergonhoso do governo chinês e peçam pela liberdade imediata e incondicional de Liu Xia", disse Yang Jianli, que a Freedom Now diz ser um integrante da equipe jurídica que representa Liu Xiabo.

Telefone

A esposa disse pelo Twitter que guardas da prisão disseram a Liu que ele havia ganhado o prêmio no sábado. Na mensagem, ela disse que, após o anúncio do Nobel na sexta-feira, estaria sob "prisão domiciliar" e seu telefone celular "foi arruinado". "Não posso fazer ou receber ligações", disse ela.

Guardas armados estariam posicionados em frente à casa de Liu. A China reagiu agressivamente ao prêmio, classificando Liu Xiaobo de criminoso. Carta 08 No ano passado, Liu, 54 anos, foi condenado a 11 anos de prisão e dois anos de perda de direitos políticos por "incitar a subversão" ao lançar a Carta 08, um manifesto que reivindicava a democracia multipartidária e respeito aos direitos humanas na China.

Em 1989, ele participou da revolta da Praça da Paz Celestial, em Pequim, na qual estudantes e trabalhadores chineses exigiram reformas democráticas no país. Após o anúncio, a organização de Direitos Humanos Anistia Internacional - vencedora do Nobel de 1977 - afirmou que a premiação "coloca em evidência as violações de direitos na China" e pediu ao governo chinês que liberte todos os prisioneiros políticos detidos no país.

Liu vinha sendo apontado como favorito ao prêmio, uma indicação contra a qual o governo chinês já havia se manifestado anteriormente.

Entre os defensores da indicação do dissidente para o prêmio, estavam o ex-presidente checo Vaclav Havel, que também ganhou o Nobel, e o líder espiritual tibetano Dalai Lama, considerado "subversivo" pelo governo chinês.

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