Espanha enfrenta greve de funcionários públicos contra cortes de salários

Mais de 2,5 milhões protestam contra pacote econômico do governo

BBC Brasil |

Mais de 2,5 milhões de funcionários públicos na Espanha entraram nesta terça-feira em uma greve de 24 horas em protesto contra o pacote econômico do governo que reduziu os salários dos servidores. Hospitais, aeroportos, escolas e presídios funcionam com menos da metade dos trabalhadores.

Serviços de transporte público, saúde, educação, segurança e justiça estão sendo cobertos pelos governos regionais, mas os setores dependentes da administração central prometem parar durante todo o dia. Segundo os sindicatos, os aeroportos espanhóis funcionam com 36,5% do pessoal, escolas públicas com 23%, e os trens com 50% dos serviços.

A greve convocada por três centrais sindicais (CO, UGT e CSI-CSIF) é a primeira ameaça cumprida pelos servidores desde que o Parlamento aprovou a diminuição dos salários (5% em média) e o congelamento das aposentadorias em 2011. O pacote aprovado há duas semanas prevê uma economia de 15 bilhões de euros (cerca de R$ 34 bilhões) por ano.

Apesar disso, a agência de avaliação de risco Fitch anunciou no dia seguinte o rebaixamento da classificação da dívida espanhola para um nível que ainda indica um baixo risco de calote - mas que demonstra que há um temor sobre a capacidade do país de pagar seus compromissos financeiros em dia. Sucesso' O primeiro boletim emitido pelas centrais sindicais indicou que durante a madrugada (o protesto começou à meia-noite local, 19h00 de segunda-feira em Brasília) 80% dos trabalhadores aderiram à greve.

Os setores com maior participação durante as primeiras horas são os de limpeza, bombeiros e Justiça. Os canais públicos de televisão estão sem notícias desde as 0h15 locais e exibem apenas um comunicado afirmando que a programação do dia estará alterada pela greve. Para deputados e senadores do Parlamento espanhol, o trabalho também estará reduzido nesta terça-feira.

Apesar das previstas sessões de votações, os serviços do Congresso e do Senado funcionam com 28% do pessoal. Nos ministérios, a paralisação é de mais de 80%, segundo os sindicatos. O Ministério da Fazenda, que recolhe nesta temporada as declarações de renda, terá apenas 8% dos trabalhadores durante o dia.

Os sindicatos convocam ainda a população para diversas manifestações nas principais cidades da Espanha e mais de cem assembleias de trabalhadores. Medidas 'injustas' Em nota à imprensa, as centrais Comissões Operárias e União Geral de Trabalhadores justificam a greve e afirmam que as medidas do pacote do governo para superar a crise econômica são "injustas, desequilibradas e antieconômicas". E ainda ameaçam o governo com uma greve geral em caso de não haver retificação no pacote. O ministro do Trabalho, Celestino Corbacho, disse no dia anterior à greve que respeita a decisão dos servidores, mas considera as medidas aprovadas "muito necessárias".

Além da Espanha, outros países enfrentam a crise e a protesto dos trabalhadores. As primeiras manifestações surgiram na Grécia há um mês. Os ministros de Economia da União Europeia tiveram que aprovar uma ajuda financeira para salvar o país da quebra, defender o euro e tentar impedir que a crise continuasse contaminando a região. Os governos de outras nações da zona do euro, como Espanha e Portugal, e a Hungria, que estava em processo de se adotar a moeda comum europeia, afirmaram que suas economias não são como a grega e podem sair da crise sem ajuda.

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