Entenda as eleições na Grã-Bretanha

Os cidadãos do Reino Unido irão às urnas no dia 6 de maio para eleger um novo governo britânico. A campanha está sendo marcada por uma disputa acirrada entre o Partido Trabalhista, do primeiro-ministro Gordon Brown, o Partido Conservador, liderado por David Cameron, e o Partido Liberal Democrata, que subiu nas pesquisas após surpreendentes desempenhos de seu líder, Nick Clegg, em debates entres os candidatos na TV.

BBC Brasil |

Aqui estão algumas perguntas e respostas preparadas pela BBC para ajudar a explicar as eleições na Grã-Bretanha. Como funcionam as eleições? Mais de 45 milhões de pessoas com 18 anos ou mais podem votar. As eleições são distritais - em cada região o candidato a Membro do Parlamento (deputado) mais votado é eleito. Com isso, a proporção do número de deputados de cada partido no Parlamento não é necessariamente igual à proporção do número de votos recebidos pelo partido. Um partido que tenha uma média de 30% dos votos nacionalmente, por exemplo, pode não conseguir eleger nenhum deputado se não tiver a maioria em nenhum distrito. Como é formado o novo governo? O partido que consegue eleger o maior número de deputados no Parlamento com 650 cadeiras tem o direito de formar o novo governo, com o líder do partido como primeiro-ministro. Se nenhum partido conseguir a maioria, ocorre uma situação a qual os britânicos chamam de "hung Parliament" (Parlamento enforcado, em tradução livre). Nessa situação, com um Parlamento sem a maioria absoluta necessária para governar sozinho, o líder do partido com o maior número de deputados ainda pode encabeçar o governo, em uma possível aliança com um segundo partido. Se os partidos não chegam a um acordo para a formação de um governo de coalizão, uma nova eleição pode ser convocada. Quais são os principais partidos? O sistema eleitoral britânico favorece o bipartidarismo, com o Partido Trabalhista - de Gordon Brown e do ex-premiê Tony Blair - e o Partido Conservador (que esteve no poder entre 1979 e 1997, com Margaret Thatcher e John Major) figurando como as principais agremiações. O Partido Liberal Democrata aparece como a terceira força, com uma votação histórica bastante inferior à dos trabalhistas e dos conservadores. Os liberal-democratas poderão fazer a diferença, porém, no caso de um Parlamento sem maioria clara, formando possivelmente um governo de coalizão com os trabalhistas ou com os conservadores. Os pequenos partidos nacionalistas do País de Gales e da Escócia também poderiam ter um papel importante em uma eventual coalizão. O que está em jogo nesta eleição? Esta eleição deve ser a mais disputada desde 1992, com o líder do Partido Conservador, David Cameron, tentando chegar ao poder após 13 anos de governo do Partido Trabalhista. Gordon Brown, por sua vez, tenta conseguir o apoio dos britânicos para continuar no cargo de primeiro-ministro. O atual premiê viu seus índices de popularidade sofrerem uma queda no ano passado, em consequência da crise econômica global e de uma série de escândalos políticos. Nos últimos meses, porém, a vantagem do Partido Conservador sobre o Partido Trabalhista nas pesquisas vem caindo, tornando o resultado das eleições imprevisível, na visão dos analistas. Como é a campanha? A campanha, diferente das campanhas eleitorais no Brasil, terá menos de um mês. Os partidos disputam o voto localmente nos distritos, com muitos candidatos distribuindo folhetos ou visitando eleitores porta a porta. Neste ano, porém, pela primeira vez os líderes dos três principais partidos - Brown, Cameron e o liberal-democrata Nick Clegg - participam de debates televisivos nacionais de 90 minutos, nas três quintas-feiras anteriores à eleição. Quando serão anunciados os resultados? A maioria dos distritos deve anunciar os resultados na própria noite do dia 6 ou madrugada do dia 7, permitindo saber se algum partido conseguiu a maioria. Os novos deputados tomam posse imediatamente, assim que os resultados são confirmados. O que acontece com o dia-a-dia do Parlamento? Toda a agenda legislativa é abandonada a partir da data de dissolução do Parlamento (provavelmente dia 12 de abril). O próximo governo pode decidir, porém, reintroduzir os projetos de lei que ficaram pendentes.

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