Entenda a renúncia de Gordon Brown

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciou nesta segunda-feira que vai renunciar não apenas ao cargo de primeiro-ministro, mas também à liderança de seu partido, o Trabalhista. O anúncio foi feito num momento em que a batalha para formar o próximo governo da Grã-Bretanha entra em uma fase crítica.

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A BBC preparou uma série de perguntas e respostas para ajudar você a entender o que está acontecendo na política britânica. Por que Gordon Brown fez o anúncio neste momento? Brown parece ter sido influenciado pelo desejo de agradar o líder do Partido Liberal Democrata, Nick Clegg, com quem os Trabalhistas almejam criar uma aliança para permanecer no poder. Clegg hesita em negociar a formação de uma possível coalizão de governo com os trabalhistas enquanto Brown estiver na liderança do partido. Isso porque a negociação, nessas condições, poderia ser interpretada como o apoio de Clegg a um primeiro-ministro sem popularidade que foi rejeitado pela maioria dos eleitores na eleição geral da última quinta-feira. O que acontece agora? Os liberais-democratas agora vão decidir se querem fazer um acordo com os trabalhistas ou com os conservadores. Se eles concordarem em se aliar a um governo conservador, Brown deverá se encontrar com a rainha Elizabeth 2ª e renunciar ao cargo de primeiro-ministro com efeito imediato. Se os liberais-democratas rejeitarem os conservadores e fecharem um acordo com os trabalhistas, Brown poderá continuar no cargo de primeiro-ministro até que seu sucessor como líder dos trabalhistas seja escolhido. Como estão as negociações entre liberais-democratas e conservadores? Ainda estão ocorrendo, mas a questão da reforma eleitoral, como muitos já previam, está dificultando um acordo. Os conservadores agora ofereceram aos liberais-democratas um plebiscito para abolir o sistema de votação britânico usado para eleger os membros da Câmara dos Comuns, que era uma exigência dos liberais-democratas. O sistema seria trocado por um sistema alternativo, sem representação totalmente proporcional, mas a mesma que está sendo proposta pelos trabalhistas. Trata-se de uma concessão muito maior do que a que muitos conservadores estariam dispostos a negociar. David Cameron, líder dos conservadores, não poderia simplesmente formar um governo de minoria? O líder conservador pode ter muitos outros parlamentares, mais do que qualquer outro partido, e pode ter conseguido 7% a mais de votos do que os trabalhistas na eleição, mas ele não pode assumir o cargo de primeiro-ministro enquanto Brown permanecer em Downing Street tentando fechar um acordo com os liberais-democratas e outros partidos. Existe alguma outra opção? Se não houver acordo entre os partidos, então sempre existe a opção de uma segunda eleição ser realizada antecipadamente, como aconteceu em 1974. Os trabalhistas e os liberais-democratas poderiam formar um governo? Eles não poderiam formar um governo sozinhos. Para comandar a maioria na Câmara dos Comuns, eles precisariam de um total de 326 parlamentares e, juntos, os dois partidos possuem apenas 315. Unidos, trabalhistas e liberais-democratas teriam que formar uma aliança com partidos pequenos que conquistaram cadeiras no Parlamento - o Partido Nacional Escocês, o Plaid Cymru, do País de Gales, o Partido Verde e dois partidos da Irlanda do Norte - o SDLP e o Alliance. Devido ao número de participantes e suas prioridades conflitantes, esta poderia ser uma coalizão instável, o que tornaria possível a convocação de outra eleição geral antes do previsto. Quando Brown será substituído como líder dos trabalhistas? Não antes de um novo líder do Partido Trabalhista ser escolhido, algo que não ocorre desde 1994 (naquela ocasião Tony Blair conseguiu a liderança). Brown afirmou que o novo líder assumirá o partido a tempo da convenção anual dos trabalhistas, em setembro. Ele pediu que parlamentares do partido ainda não iniciem a campanha ou indiquem candidatos. Entretanto, nada impede que um parlamentar lance sua candidatura. E em relação ao cargo de primeiro-ministro, quando Brown vai realmente renunciar? Ele poderá permanecer no número 10 de Downing Street (sede do governo britânico) por algum tempo. Ele afirmou em sua declaração de renúncia que queria permanecer no poder até formar um governo de coalizão com os liberais-democratas, o que poderia tomar um tempo ainda não definido, horas, dias ou até semanas. Mas Brown acrescentou: "Não quero ficar em minha posição além do que for necessário para garantir que o caminho para o crescimento econômico esteja seguro e a reforma política com que concordamos avance rapidamente".

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