Enchentes já afetaram 20 milhões, diz Paquistão

País celebra 63º aniversário da independência sem festa por causa de inundações que mataram mais de 1.600 pessoas

BBC Brasil |

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O primeiro-ministro do Paquistão, Yusuf Raza Gilani, afirmou neste sábado que 20 milhões de pessoas foram afetadas pelas enchentes que castigam o país há mais de duas semanas. Estas são as piores cheias em mais de oito décadas no país de 180 milhões de habitantes.

As declarações do premiê foram feitas durante as celebrações do 63º aniversário da independência do Paquistão, que neste ano tiveram um tom mais contido por causa das inundações, que já causaram a morte de mais de 1.600 pessoas. Segundo Gilani, ainda há vítimas isoladas pelas enchentes, mas o governo não está poupando esforços para atender a todos os afetados.


As autoridades paquistanesas advertiram sobre uma elevação ainda maior no nível do rio Indus até o início da próxima semana nas províncias de Punjab e Sindh, o que pode aumentar ainda mais o impacto das enchentes.

Doenças

As Nações Unidas advertem sobre a possibilidade de disseminação de doenças provocadas pela água contaminada. Cerca de 36 mil pessoas estão sofrendo com diarreia severa, um dos sintomas da cólera. Apesar de não terem sido ainda testadas para confirmar a doença, todos elas estão recebendo tratamento para cólera.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, deve visitar o país neste fim de semana para verificar os estragos provocados pelas chuvas e acompanhar os trabalhos de recuperação. Na quarta-feira, a ONU lançou um apelo internacional para o envio de US$ 459 milhões (cerca de R$ 811 milhões) em ajuda de emergência ao Paquistão, mas advertiu que no longo prazo serão necessários bilhões de dólares.

Críticas

O embaixador paquistanês para as Nações Unidas, Zamir Akram, criticou a resposta internacional à crise humanitária em seu país. Em entrevista à BBC, ele afirmou que a intensidade da devastação somente está sendo reconhecida somente agora e que até agora a ajuda não chegou ao país.

Mas ele diz esperar que a situação melhore a partir de agora. "Não acho que o Paquistão foi abandonado. Conforme a informação sobre a gravidade da situação e sobre a extensão dos danos provocados por estas enchentes sem precedentes se espalha pelo mundo, a resposta está melhorando", disse.

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