Em tribunal de guerra, Mladic diz que acusações são 'ofensivas'

Ex-comandante servo-bósnio optou por não se declarar culpado nem inocente; nova audiência foi marcada para 4 de julho

BBC Brasil |

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O ex-comandante do Exército servo-bósnio Ratko Mladic compareceu nesta sexta-feira à sua primeira audiência no tribunal internacional para crimes cometidos na ex-Iugoslávia, em Haia, na Holanda.

AFP
Ex-comandante servo-bósnio Ratko Mladic comparece à primeira audiência de Haia
O painel de magistrados que conduz o caso, presidido pelo juiz holandês Alphons Orie, estabeleceu os procedimentos do julgamento e apresentou as acusações contra ele , que incluem crimes contra a humanidade, crimes de guerra e genocídio.

Mladic disse que as acusações são "ofensivas", mas optou por não se declarar culpado nem inocente. Como a Justiça lhe concede um mês para tomar essa decisão, uma nova audiência foi marcada para 4 de julho.

O ex-comandante disse que é um "homem gravemente doente" e não teve tempo de ler o documento de 37 páginas contendo as acusações contra ele. Afirmou que precisava de "pelo menos dois meses" para passar em vista a documentação.

Quando o juiz perguntou se ele queria que as acusações contidas no documento lhe fossem lidas, respondeu: "Não quero que uma única linha daquele documento seja lida para mim."

O general bósnio de etnia sérvia é acusado de genocídio, perseguição, exterminação, assassinato, deportação, atos desumanos, terror, sequestros e remoção forçada com a finalidade de promover uma limpeza étnica em prol de uma "Grande Sérvia".

Ele responde pela tentativa de "eliminação ou remoção permanente" de muçulmanos de grandes partes do país em diversos episódios, incluindo os dois mais emblemáticos do conflito nos Balcãs: o cerco de 44 meses à capital bósnia, Sarajevo, a partir de maio de 1992, que deixou 10 mil mortos, e o massacre de Srebrenica , o pior em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial, no qual até 8 mil homens e meninos muçulmanos foram executados.

Adiamento

O julgamento teve início apesar das tentativas do advogado de Mladic na Sérvia, onde ele foi preso após 16 anos de buscas, de adiar a extradição do ex-comandante para Haia. O advogado, Milos Saljic, e a família do general vinham alegando que ele estava "muito doente" para ser julgado em Haia. Ainda assim a extradição foi determinada Justiça sérvia.

Um dia antes, cerca de 7 mil manifestantes haviam ido às ruas de Belgrado para protestar contra a medida e contra a possível extradição. A prisão de Mladic foi considerada pelo governo em Belgrado como um primeiro passo para a reconciliação dos Balcãs, sem a qual as chances da Sérvia de ingressar na União Europeia ficam consideravelmente reduzidas.

Do lado de fora do tribunal de Haia, parentes de vítimas do conflito nos Bálcãs esperaram a chegada de Mladic para pedir Justiça. O advogado sérvio Aleksandar Aleksic foi apontado para defender o ex-comandante em Haia, mas Mladic disse que deseja ser defendido por uma equipe de advogados, e não apenas por um homem.

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