Em meio a tensão bilateral, líder chinês confirma presença em reunião nos EUA

Depois de meses de tensão entre Estados Unidos e China, o anúncio de que o presidente chinês, Hu Jintao, vai participar de um encontro sobre segurança nuclear em Washington foi recebido nesta quinta-feira como um sinal de melhora nas relações. Nós saudamos a decisão (do presidente chinês).

BBC Brasil |

Nós consideramos a Cúpula de Segurança Nuclear uma conferência muito importante, e creio que a participação da China no mais alto nível possível reflete sua preocupação com a segurança nuclear", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano P. J. Crowley.

A presença de Hu foi confirmada pelo Ministério do Exterior da China. O presidente chinês vai participar da conferência na capital americana nos dias 12 e 13 deste mês, antes de seguir em um roteiro que inclui visitas ao Brasil, Venezuela e Chile.

O anúncio da viagem foi recebido com surpresa pelo governo americano. Acreditava-se que o líder chinês não participaria do encontro em razão de uma série de recentes divergências com os Estados Unidos.

Os pontos de atrito entre os dois países incluem o fato de o presidente Barack Obama ter recebido, no mês passado, a visita do líder espiritual tibetano Dalai Lama contra a vontade da China.

Pequim também reagiu com irritação ao anúncio, em janeiro, de que os Estados Unidos pretendem vender armas a Taiwan, considerada pelo governo chinês uma província rebelde.

Houve ainda reações do governo chinês a comentários da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de que a China restringe a liberdade na internet.

A polêmica em torno da internet continuou no mês passado, quando o Google passou a redirecionar os usuários de seu site de buscas na China para seu site em Hong Kong, que não é alvo de censura, em uma decisão duramente criticada por Pequim.

Irã
Apesar das discordâncias, os Estados Unidos não têm interesse em um confronto com a China, especialmente quando buscam o apoio chinês no Conselho de Segurança da ONU para aprovar sanções mais duras contra o Irã.

A confirmação da visita do líder chinês aos EUA ocorre no momento em que Pequim parece sinalizar uma mudança de postura quanto a imposição de novas sanções contra Teerã.

A China é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - ao lado de Estados Unidos, Rússia, França e Grã-Bretanha - e, até o momento, vem se opondo à proposta de novas sanções.

Na quarta-feira, porém, o governo chinês disse estar pronto para discutir essa possibilidade.

A questão iraniana deverá ser debatida em reuniões bilateriais durante a conferência de segurança nuclear.

Brasil
Os Estados Unidos e outros países defendem a imposição de sanções mais duras ao governo iraniano por conta de seu programa nuclear que, suspeitam, possa servir para desenvolver armas secretamente.

O Irã se recusa a interromper o enriquecimento de urânio e diz que seu programa é pacífico, com o objetivo de gerar energia.

Nesta semana, Obama disse esperar novas sanções dentro de "semanas", mas reconheceu que ainda não há consenso internacional sobre o tema.

O Brasil, que ocupa uma vaga rotativa no Conselho de Segurança, é um dos países que não apóia a imposição de novas sanções, e defende o diálogo como a melhor forma de abordar o programa nuclear iraniano.

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, ao ser questionado sobre a posição do Brasil, o porta-voz do Departamento de Estado disse que os Estados Unidos manterão "futuras discussões com o Brasil e outros membros do Conselho de Segurança" sobre o assunto.

Câmbio
A visita de Hu aos Estados Unidos também vai ocorrer dois dias antes da data marcada para o governo americano decidir se acusa a China de manter sua moeda artificialmente desvalorizada em relação ao dólar.

A desvalorização do yuan é outro foco de tensão na relação bilateral. A China é criticada por gerar vantagem competitiva para suas indústrias ao manter sua moeda desvalorizada.

No início do ano, Obama irritou Pequim ao afirmar que iria adotar uma política mais dura para garantir a abertura do mercado chinês às exportações americanas.

No entanto, analistas afirmam que é pouco provável que o governo americano decida acusar a China de manipulação cambial durante a visita de Hu Jintao, o que iria constranger o presidente chinês e prejudicar as já tensas relações entre os dois países.

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