Em jornal espanhol, Lula ironiza acordo nuclear EUA-Rússia

Uma reportagem do jornal espanhol El País traz declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizando o acordo de desarmamento nuclear assinado na semana passada entre os Estados Unidos e a Rússia. Vou perguntar ao presidente (dos EUA, Barack) Obama qual é o significado do seu acordo recente com o (presidente russo, Dmitri) Medvedev sobre a desativação das ogivas nucleares.

BBC Brasil |

Desativar o quê? Porque se estamos falando de desativar o que já estava vencido não faz sentido. Eu também tenho na minha casa uma caixa de remédios e vou tirando as que estão vencidas", disse o presidente, segundo o jornal espanhol.

De acordo com o "El País", Lula deu as declarações em conversa com um repórter do diário, que prepara uma visita do presidente brasileiro à capital espanhola, Madri, no mês que vem, em parceria com o jornal "Valor".

"Ou falamos seriamente sobre desarmamento ou não podemos admitir que haja um grupo de países armados até os dentes e outros desarmados", disse Lula.

A reportagem com o líder brasileiro é publicada no dia em que será aberta, na capital americana, Washington, uma cúpula internacional com altos representantes de 47 países para discutir o tema da segurança nuclear. Lula é um dos participantes.

Antes do encontro, o presidente americano, Barack Obama, conclamou os países a refletir sobre a possibilidade do que chamou de "terrorismo nuclear", referindo-se à hipótese de que organizações extremistas adquiram armas com essa tecnologia.

Durante a conferência, Obama e representantes de outros países ocidentais devem pressionar por novas sanções contra o Irã, país que vem aumentando o seu enriquecimento de urânio e é acusado de alimentar ambições nucleares.

O foco dos esforços deve ser a China, país que é um dos cinco membros permanentes com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, mas que vem resistindo a uma nova rodada de medidas contra Teerã.

É possível que o Brasil também seja pressionado, porque também tem mantido uma postura cética em relação às sanções.

"O Paquistão tem bomba atômica, Israel também. É compreensível que quem se sente pressionado por essa situação possa pensar em fazer a sua", disse Lula a respeito do assunto, de acordo com o "El País".

"É preciso conversar com o Irã. É um grande país, com uma cultura própria, que criou uma civilização. Não podemos partir do princípio que (o presidente iraniano, Mahmoud) Ahmadinejad é um terrorista que precisamos isolar. Temos que negociar."
De acordo com o jornal, Lula disse que quer negociar com o governo iraniano "até o último minuto", mas que, no limite de uma eventual adoção de sanções por parte da ONU, "cumprirá" o que for decidido pela comunidade internacional.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG