Em apelo emocional, Amanda Knox nega estupro e morte de estudante britânica

Americana e o ex-namorado são acusados de ter matado uma jovem de 21 anos durante 'jogo sexual'

BBC Brasil |

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A americana Amanda Knox negou ter participado de assassinato de uma estudante britânica na Itália em 2007, em uma emocionada declaração final perante o júri de uma corte de apelação em Perugia, na Itália.

"Eu não fiz as coisas que dizem que fiz. Eu não matei, estuprei ou roubei. Eu não estava lá", disse ela no tribunal. Um veredicto sobre o recurso é aguardado ainda nesta segunda-feira. "Estou pagando com minha vida por coisas que não fiz. Insisto, após quatro anos de desespero, em nossa inocência", afirmou a americana, presa desde 2007.

AP
Amanda Knox chega à audiência na corte de Perugia, na Itália

Knox, de 24 anos de idade e seu ex-namorado, o italiano Raffaele Sollecito, atualmente com 27 anos, foram condenados respectivamente a 26 e 25 anos de prisão pelo assassinato da britânica Meredith Kercher, 21 anos, no que a promotoria afirmou ter sido um jogo sexual brutal que deu errado.

Sollecito também afirmou ser inocente nesta segunda-feira. "Sou um ninguém, mas agora querem que o ninguém passe o resto da vida na prisão", disse ele. O casal afirma que na noite do crime estavam juntos na casa dele.

A defesa afirma que o DNA encontrado na faca de cozinha apresentada como principal prova contra os dois, estava contaminado. Já a acusação pede que as sentenças sejam aumentadas para prisão perpétua, devido a "provas consideráveis de que o casal esteve na cena do crime", e afirma que vai apelar se a condenação for derrubada.

O caso ganhou grande atenção da mídia na Europa e nos Estados Unidos.

'Jogo Sexual'

Kercher e Knox eram estudantes e faziam intercâmbio em Perugia na época do crime. Elas dividiam a mesma casa, onde o corpo de Kercher foi encontrado no dia 2 de novembro de 2007, com a garganta cortada e parcialmente vestida. Durante o julgamento, Knox foi descrita por advogados como "uma bruxa" e como uma pessoa com dupla personalidade, com um lado "angelical, bom, misericordioso e de algumas formas até santo" e outro "demoníaco, satânico, diabólico".

Já a defesa comparou a americana à personagem Jessica Rabbit, do filme "Uma Cilada para Roger Rabbit", dizendo que criou-se uma imagem de uma mulher calculista, libertina e aproveitadora para Knox, mas que na verdade ela era "fiel e amorosa". O advogado até usou uma frase do filme de animação: "(Ela) não é má. Ela só foi desenhada assim."

Novos apelos

Se a condenação for mantida pelo júri, formado por dois juízes e seis pessoas comuns, os dois ainda podem apelar no mais alto tribunal de apelações da Itália.

Parentes de Knox disseram que vão levá-la de volta a Seattle imediatamente caso a condenação seja derrubada, apesar de a promotoria ter afirmado que iria recorrer da decisão.

A família de Kercher disse recentemente que a verdadeira vítima no caso "foi completamente esquecida" devido à atenção dada pela mídia a Amanda Knox. "Nesses quatro anos, Meredith foi completamente esquecida. Mas precisamos encontrar justiça para ela, precisamos descobrir a verdade para ela", disse sua irmã Stephanie à mídia italiana.

Além de Knox e Sollecito, uma terceira pessoa foi condenada pelo assassinato de Kercher em um julgamento separado. Rudy Guede, de 21 anos, foi condenado a 30 anos de prisão, mas após um recurso, a pena foi reduzida para 16 anos. Ele admitiu ter feito sexo com a jovem, mas negou tê-la matado.

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