Eleição de novo Presidente na Alemanha é teste para Merkel

Falta de consenso na Assembleia Federal coloca em risco coalizão de chanceler e expõe clima de crise no governo alemão

BBC Brasil |

selo

A Alemanha escolhe nesta quarta-feira um novo presidente em eleições que estão sendo vistas como um teste de popularidade do governo da chanceler Angela Merkel.

O cargo de presidente na Alemanha tem função principalmente cerimonial, mas a eleição é encarada como um veredicto da população sobre o pacote de austeridade de Merkel para lidar com a crise orçamentária na zona do euro.

O presidente é escolhido em votação secreta por um colégio eleitoral composto por 1244 representantes eleitos. O candidato do partido da chanceler, Christian Wulff é o favorito, já que a coalizão de Merkel tem maioria no colégio eleitoral.

Entretanto, até o início da tarde (horário de Brasília), a votação já havia entrado em sua terceira rodada sem que um vencedor tivesse sido definido .

© AP
Angela Merkel, chanceler da Alemanha, deposita seu voto na Assembleia Federal nesta quarta-feira

Candidatos

Wulff, que é vice-líder do partido Cristão Democrata, enfrenta o ativista de direitos humanos da ex-Alemanha Oriental Joachim Gauck, considerado um forte candidato.

Gauck teve um papel ativo em expor os crimes da polícia secreta da Alemanha Oriental, a Stasi.
Ele é bastante popular e amplamente respeitado, com membros da própria coalizão de Merkel indicando que poderão voltar nele.

Há ainda dois candidatos de partidos menores, um da extrema esquerda e outro da extrema direita.
Uma derrota de Wulff seria considerada um golpe duro para Merkel, segundo o correspondente da BBC em Berlim, Steve Rosenberg.

Pacote

Merkel está sob crescente pressão por causa do pacote e também de conflitos em seu gabinete.
Desde que chegou ao poder em outubro e 2009, a coalizão vem enfrentando a crise de déficit orçamentário na zona do euro.

No início do mês, o governo da Alemanha anunciou o maior pacote de austeridade do país desde a Segunda Guerra Mundial, contendo a promessa de um corte de 80 bilhões de euros (cerca de R$ 171 bilhões) no orçamento nos próximos quatro anos.

Os críticos do pacote argumentam que, com tantos governos do sul da Europa sob pressão para cortar gastos, as reduções no orçamento da Alemanha – a maior economia da zona do euro - são a última coisa que a economia do bloco precisa no momento.

Declaração polêmica

A eleição foi convocada depois que Horst Köhler deixou a presidência, em 31 de maio.  Ele pediu para sair do cargo após a repercussão negativa de declarações que deu sobre o papel do Exército alemão.

Após uma breve visita ao Afeganistão, Köhler deu uma entrevista a uma emissora de rádio em que associou as missões militares alemãs no exterior à defesa de interesses econômicos do país.

A eleição pode ter até três votações se nenhum dos candidatos conseguir maioria absoluta. Na terceira, serve a maioria simples. Os resultados serão revelados na tarde desta quarta-feira.

    Leia tudo sobre: AlemanhaAngela Merkel

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG