E. coli: UE promete mais de 150 milhões de euros após protesto de produtores

Fazendeiros consideram indenização insuficiente, e comissão diz que fará nova oferta; surto matou 24 e infectou mais de 2,4 mil

BBC Brasil |

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A Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) anunciou nesta terça-feira que subirá a proposta de pacote indenizatório para fazendeiros europeus que tiveram prejuízo com o surto de infecções pela bactéria E. Coli após a primeira oferta, de 150 milhões de euros (cerca de R$ 348 milhões), ter sido considerada insuficiente.

AP
Carregamento de pepinos espanhóis produzidos em Torremolinos, no sul da Espanha. Produto foi apontado erroneamente como causa do surto de bactéria da Alemanha
Produtores de pepinos, tomates e alface de França e Espanha rejeitaram a proposta destinada a cobrir 30% das perdas feita pelo comissário de Agricultura europeu, Dacian Ciolos. "Estou disposto a aumentar a proposta de 30%, mas não acho que nosso orçamento nos permitirá cobrir 100% para todos os produtores", disse ele, que afirmou que uma nova proposta deve ser formulada nos próximos dias.

Produtores de vegetais viram suas vendas despencarem por causa do surto, que deixou 24 mortos e mais de 2,4 mil doentes. O Comitê das Organizações Profissionais Agrícolas e Cooperativas na Europa (Copa-Cogeca), órgão que representa os fazendeiros europeus, disse que a crise vem custando 417 milhões de euros (cerca de R$ 966 milhões) por semana ao setor.

A Espanha exige 100% de indenização da Alemanha pelas perdas sofridas por seus fazendeiros, por causa da acusação, depois retirada pelos alemães, de que pepinos espanhóis eram a origem da bactéria. A Associação de Exportadores de Frutas e Vegetais da Espanha estima perdas de 225 milhões de euros (R$ 521 milhões) por semana.

Rapidez

Ciolos disse esperar que as autoridades alemãs pudessem fornecer respostas rapidamente sobre a origem do surto. "Sem essa resposta, será difícil reconquistar a confiança dos consumidores, que é essencial para que o mercado recupere a força."

Também nesta terça-feira, um especialista da Organização Mundial de Saúde disse à agência de notícias Associated Press que está acabando o tempo para que os pesquisadores alemães encontrem o foco da origem da bactéria. "Se não soubermos quem é o culpado em uma semana, talvez nunca saibamos", disse Guenael Rodier.

Também nesta terça-feira, ministros da Agricultura da União Europeia discutiram a crise em meio a críticas sobre o modo como a Alemanha está lidando com o problema.

Antes do encontro, o comissário da União Europeia para a Saúde, John Dalli, afirmou que o surto de infecções está limitado geograficamente ao norte da Alemanha e não há necessidade de medidas de controle no restante do continente.

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