Documento vazado pelo WikiLeaks afirma que Fidel quase morreu em 2006

Fontes dos EUA em Havana disseram que Fidel ficou em estado crítico, teve hemorragia interna e se recusou a fazer operação

BBC Brasil |

selo

Documentos diplomáticos secretos dos Estados Unidos divulgados pelo site WikiLeaks afirmam que funcionários do governo americano acreditam que o líder cubano Fidel Castro quase morreu em 2006.

Fontes do governo americano em Havana disseram aos diplomatas que Fidel ficou em estado bastante crítico quando sofreu com um intestino perfurado durante um voo em Cuba. A doença fez com que Fidel transferisse o poder da ilha para seu irmão Raúl.

O estado de saúde de Fidel, que tem 84 anos, é considerado segredo de Estado em Cuba. Logo que o WikiLeaks começou a divulgar os telegramas, Fidel elogiou o site, dizendo que ele havia humilhado os Estados Unidos. Publicados pelo jornal espanhol "El País", os comunicados revelam o intenso esforço dos diplomatas americanos para descobrir detalhes da doença de Fidel e suas chances de recuperação.

As fontes que passaram as informações para os diplomatas não tiveram seus nomes divulgados pelo WikiLeaks. No entanto, os documentos dão a impressão de que são pessoas próximas ao líder cubano ou que tinham acesso a seus prontuários médicos.

Colostomia

Um dos telegramas, enviado em março de 2007 pelo então chefe do escritório de negócios americanos em Havana, Michael Parmly, cita um relato de um médico não identificado quando Fidel ficou doente em 2006. "A doença começou em um avião que ia de Holguín para Havana", relata o telegrama.

Como era um voo curto e não havia médico a bordo, o avião teve que fazer um pouso de emergência após ter sido verificado que Fidel sofria com uma hemorragia interna. Ele foi diagnosticado com uma diverticulite do cólon.

Segundo a fonte da diplomacia americana, o líder cubano tinha uma perfuração no intestino e precisava de uma cirurgia urgente. Mas o documento diz que ele "caprichosamente" se recusou a passar por uma colostomia (desvio das fezes para uma bolsa externa), sua condição se deteriorou com o tempo e tornou necessária uma nova cirurgia.

"Esta doença não é curável e não vai, em sua opinião, permitir a ele retornar à liderança de Cuba", concluiu o documento. "Ele não vai morrer imediatamente, mas perderá progressivamente suas capacidades e se tornará mais debilitado até morrer", diz.

'De joelhos'

Outros telegramas diplomáticos vazados pelo WikiLeaks citam outras fontes que diziam que Fidel estava em estado terminal e analisam declarações de sua equipe médica e relatos sobre o envio a Cuba de medicamentos especializados.

Mas apesar do quadro relatado pelos documentos americanos, desde então Fidel aparentemente se recuperou, a ponto de voltar a fazer aparições e discursos públicos neste ano, ainda que não tenha retornado à Presidência.

Em um artigo publicado recentemente pela mídia estatal cubana, Fidel elogiou o WikiLeaks e seu fundador, Julian Assange, dizendo que os vazamentos de milhares de documentos diplomáticos secretos americanos deixaram os Estados Unidos "moralmente de joelhos".

"Julian Assange, um homem de quem há poucos meses quase ninguém havia ouvido falar, está mostrando que o mais poderoso império da história pode ser derrotado", escreveu.

    Leia tudo sobre: wikileakseuadocumentoscubafidel castro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG