Divisão interna afasta AL da UE, diz "Economist"

A sexta Cúpula União Europeia ¿ América Latina e Caribe é tema de um artigo na edição desta semana da revista "The Economist"

BBC Brasil |

A revista britânica "The Economist" destacou nesta semana o encontro entre União Europeia, América Latina e Caribe, que deve ocorrer na próxima terça-feira em Madri, na Espanha. Para a publicação, a esperança da Espanha – que atualmente ocupa a Presidência rotativa da União Europeia – de que o encontro seja marcado por um “relançamento” das relações entre o bloco e a América Latina, deve continuar sendo uma “possibilidade distante”, assim como foi nas cúpulas anteriores.

Segundo a revista, entre os principais motivos estão as divisões internas da América Latina e a crise econômica que abala a Europa. A falta de unidade dos latino-americanos já comprometeu o sucesso dos outros encontros, lembra a "Economist".

O artigo acrescenta ainda que o fato de os países europeus ainda estarem mais preocupados em sair da crise econômica, é outro fator que deve dificultar o estreitamento das relações. Ao comparar o encontro da semana que vem com os anteriores, a revista ainda afirma que muita coisa mudou: "antes a Europa estava se expandindo e a América Latina em recessão. Agora acontece o contrário".

A "Economist" ressalta que enquanto a relação comercial do bloco latino-americano com a China vem crescendo rapidamente, as trocas entre Europa e o continente vem se dando num ritmo mais lento. "Além disso, o balanço do poder global está começando a se mover para países como o Brasil".

Neste contexto, a publicação afirma que houve uma "inclinação para a esquerda" na política externa brasileira antes das eleições presidenciais, e critica o governo Lula por ter se recusado a reconhecer o presidente de Honduras, Porfírio Lobo - "eleito em um pleito razoavelmente livre" - enquanto se reúne com o governo do Irã e é "amigável" com Cuba. "Mesmo que essas relações proporcionem um benefício comercial, elas contribuirão muito pouco para a formação de uma associação estratégica entre os dois continentes."

Afirmando que "as únicas certezas" durante a cúpula são as assinaturas de acordos comerciais entre União Europeia, Peru e Colômbia, a Economist afirma que, no entanto, as discussões entre o bloco e o Mercosul "não devem chegar a lugar nenhum", principalmente devido à resistência da França e da Argentina.

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