Dispositivo antiexplosão de plataforma tinha falhas

Segundo a comissão que investigou o caso, o mecanismo que deveria ter evitado a explosão apresentava 260 defeitos

BBC Brasil |

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Foto mais próxima mostra momento em que a Deepwater Horizon afunda no mar
Um dispositivo que poderia ter evitado o vazamento de petróleo no Golfo do México após a explosão de uma plataforma de exploração no mês passado apresentava 260 defeitos, segundo uma comissão de investigação do Congresso dos Estados Unidos.

O mecanismo, uma enorme série de válvulas batizada de preventor de explosões, teria sofrido um vazamento hidráulico e problemas na bateria, entre outros, de acordo com os investigadores que analisaram documentos da petrolífera BP.

Representantes da empresa afirmam ser muito cedo para tirar conclusões sobre o que teria provocado o desastre.

A nova lei sobre o clima que chegou na quarta-feira ao Senado prevê a possibilidade de veto estadual a projetos de exploração de petróleo offshore, como o que sofreu o acidente.

O presidente Barack Obama também já apresentou um projeto de lei que prevê a liberação de fundos de emergência no valor de US$ 188 milhões (por volta de R$ 334 milhões) para combater as consequências do derramamento de óleo.

Obama pede verba para limpeza do óleo
O governo espera recuperar a maior parte deste dinheiro da BP.

Em carta endereçada à presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, Obama requisitou US$ 100 milhões em financiamento imediato para a Guarda Costeira e mais US$ 29 milhões para o ministério do Interior para novas inspeções, vistorias e estudos.

Obama prometeu "não economizar esforços para limpar qualquer dano que tenha sido causado".

Onze pessoas morreram na explosão que teria acontecido depois de um vazamento de gás metano de dentro do poço submarino, destruindo a plataforma Deepwater Horizon no dia 20 de abril.

Até hoje, não foi possível conter o vazamento, apesar das tentativas usando submarinos-robôs e um enorme cone de aço.

O deputado americano Bart Stupak, presidente do subcomitê de Supervisão e Investigações da Câmara dos Comuns, afirmou que investigadores identificaram problemas graves no sistema de válvulas preventor de acidentes, que deveria ter interrompido a liberação de gás e óleo perigosamente voláteis.

Lista com 260 falhas
De acordo com Stupak, um relatório de 2001 da operadora Transocean, que administrava a plataforma para a BP, teria listado até 260 possíveis falhas nos equipamentos.

"Como um equipamento com 260 falhas pode ser considerado a prova de falhas?", perguntou Stupak.

A subcomissão americana também afirmou que as válvulas tinham sido modificadas, o que teria dificultado ainda mais a operação após o acidente.

Lamar McKay, um alto executivo da BP, pediu paciência.

"Não é certo tirar qualquer conclusão antes de todos os fatos terem sido expostos."

O presidente da empresa Cameron International Corp., Jack Moore, que construiu o sistema de válvulas, também afirmou ser "cedo demais" para conclusões, afirmando que a empresa ainda não pode analisar o dispositivo.

No ano passado, a BP foi multada em US$ 87 milhões por não ter melhorado as condições de segurança depois de uma enorme explosão que provocou a morte de 15 pessoas em uma refinaria na cidade do Texas.

O Serviço de Administração Mineral dos Estados Unidos tinha realizado inspeções de rotina na plataforma Deepwater Horizon em fevereiro, março e abril deste ano, sem encontrar nenhuma violação às normas de segurança.

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