Despreocupado com 2º turno, Santos já busca formar governo na Colômbia

Após ampla vantagem no primeiro turno, candidato apoiado por Uribe já costura alianças com partidos conservadores

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Juan Manuel Santos comemora o resultado do 1º turno
Após conquistar uma ampla vantagem no primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia, no domingo, o candidato governista Juan Manuel Santos já costura alianças com os partidos conservadores do país, de olho em um futuro governo.

Santos convocou os partidos Cambio Radical - a terceira força política do país com mais de 10% dos votos, o equivalente a 1,4 milhão de eleitores - e os tradicionais Conservador e Liberal a formar um governo de unidade em torno de seu nome.

Em entrevista à BBC, Santos, que tem o apoio do presidente do presidente Álvaro Uribe, disse que o acordo para as futuras alianças deverá ser baseado em um programa e não em cotas partidárias.

"Não vou negociar posições no meu gabinete. Isso não seria apropriado. Convido-os a fazer parte de um governo de unidade nacional com base em programas", afirmou Santos. "Quando tiver os programas, decidirei quem é a pessoa mais idônea para executá-los", acrescentou.

'Migração natural'

Após ter obtido mais de 46% dos votos - 3,6 milhões à frente de seu adversário do Partido Verde, Antanas Mockus, que obteve 21% -, Santos não necessitará de alianças para ganhar o segundo turno e sim para governar, afirmou o parlamentar Santiago Castro, do partido Conservador.

"O partido da U, de Santos, tem apenas 25% do Congresso, e a única coisa que lhe assegura uma maioria é a presença do partido Conservador e Cambio Radical, parceiros naturais", afirmou Castro.

Esses partidos ainda não se pronunciaram em relação à qual candidatura apoiarão, porém, analistas consideram que haverá uma "migração natural" dos votos dos três principais partidos que são parte da base governista de Álvaro Uribe para seu herdeiro do partido da U.

Mockus

A equipe de campanha do partido Verde passou esta segunda-feira reunida para definir as novas estratégias de campanha para o segundo turno. Analistas ouvidos pela BBC Brasil consideram que a campanha de Mockus se "desinflou" na reta final da campanha.

Para eles, após sua rápida ascensão nas pesquisas, com uma mensagem direta de ataque ao clientelismo, corrupção e desigualdade, Mockus teria se "perdido" em detalhes de um eventual programa de governo que não foi bem "ensaiado".

A tática dos verdes para conseguir mais de 4 milhões de voto necessários para ultrapassar o candidato governista será apostar nos votos independentes do partido Cambio Radical e do esquerdista Polo Democrático.

Outro alvo que os verdes pretendem atacar será os eleitores que se abstiveram de votar, cerca de 50% dos colombianos inscritos no registro eleitoral. "Nosso objetivo será vencer a abstenção e levar às urnas os jovens que se mostravam entusiasmados, mas que não foram votar", afirmou à BBC Brasil Diego Cancino, assessor político de Mockus.

Para conquistar novos eleitores, o partido Verde pretende intensificar a campanha na rua, no corpo-a-corpo com os eleitores, e nas redes sociais Facebook e Twitter, que teriam impulsionado a candidatura de Mockus.

"Há dois meses tínhamos somente 6% dos eleitores e ontem (domingo) alcançamos mais de 3 milhões, isso é significativo", acrescentou. Segundo Cancino, a partir de agora Mockus polarizará ainda mais a campanha, em uma tentativa de mostrar a diferença entre seu projeto e o de seu adversário.

"Vamos mostrar que está em jogo dois projetos. Um que é o do governo, a lógica do vale tudo e a outra que tem resultados, que garante segurança, mas não sacrifica princípios", afirmou.

Vitória 'inevitável'

Os principais jornais do país na segunda-feira deram como inevitável um triunfo de Santos no segundo turno, vitória que se confirmada, representará a continuidade do uribismo.

Para a analista política Maria Teresa Roderos, somente um grande erro do candidato governista impediria sua vitória no segundo turno, convocado para 20 de junho.

Os verdes concordam que o segundo turno "está difícil, mas não é impossível (de vencer)", afirmou o assessor político de Mockus, Diego Cancino. "Santos tem um apoio forte, que não se pode negar, mas ainda não foi eleito".

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