David Cameron, o 'Tony Blair' dos conservadores

Líder do Partido Conservador se descreve como herdeiro do ex-premiê trabalhista e com ele tem em comum a familiaridade com a mídia

BBC Brasil |

Reuters
Cameron conversa com empregados do mercado Tesco
David Cameron, do Partido Conservador, uma vez se descreveu como um "herdeiro do Tony Blair (1997-2007)". E há semelhanças entre a forma como que ele usou um grupo coeso de modernizadores para pressionar por mudanças em um partido relutante. O político de 43 anos tem em comum com o ex-premiê trabalhista a familiaridade com que lida com a mídia.

Filho de um operador da bolsa de valores, Cameron cresceu em Newbury, Berkshire, com o irmão Alec e as irmãs Tania e Clare. Seguindo a tradição da família, estudou em Eton e Oxford, onde se graduou em filosofia, política e economia.

Cameron trabalhou no Departamento de Pesquisa do Partido Conservador ao sair de Oxford e tornou-se assessor do ex-premiê John Major (1990-1997). Foi durante sete anos chefe de relações públicas da emissora comercial Carlton, enquanto tentava se tornar um parlamentar, o que conseguiu em 2001, quando foi eleito para a cadeira dos conservadores por Witney.

A essa altura, Cameron estava casado e tinha uma família. Sua esposa, Samantha, filha de um proprietário de terras, era dona de uma loja de materiais de escritório. O casal tem dois filhos, Nancy e Arthur, e Samantha está grávida novamente. O primeiro filho dos dois, Ivan, nasceu com graves deficiências e morreu em fevereiro de 2009.

Cameron foi descoberto por Michael Howard em meados da década de 90, mas, quando entrou na corrida para ser o sucessor de Howard como líder do partido em 2005, poucos prestaram atenção ao novato que havia se tornado um político há pouco tempo. Foi preciso um eletrizante discurso em uma conferência do Partido Conservador, proferido de improvisdo - o que se tornaria sua marca registrada - para mudar a opinião de seus correligionários.

No começo de seu período à frente dos conservadores, Cameron era um otimista. Ele exortou o partido a pôr fim à obsessão em relação à Europa (o partido tem grande resistência a uma integração total do país ao bloco) e tentou reposicionar os conservadores como um partido que se importava com o meio ambiente e o NHS (o sistema de saúde público britânico). Tentou também recrutar mais mulheres e candidatos de minorias étnicas.

Cameron também usou o escândalo sobre os gastos de deputados que sacudiu o governo no ano passado para criar a imagem de reformista radical, comprometido com moralizar a política. Foi ajudado nessa missão por conservadores mais velhos e mais tradicionais, que estavam sendo forçados a se aposentar para abrir caminho para conservadores mais jovens e contemporâneos.

Foi recompensado com boa aprovação nas pesquisas, mas a crise econômica o forçou a abandonar grande parte de sua retórica otimista, em nome de um discurso mais sóbrio, advertindo eleitores para a chegada de tempos difíceis, de cortes nos gastos públicos.

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