David Cameron já se descreveu como herdeiro de Blair

Novo premiê britânico tem em comum com o trabalhista a facilidade para lidar com a imprensa

BBC Brasil |

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O novo primeiro-ministro britânico, David Cameron, certa vez se descreveu como um "herdeiro de Tony Blair" - e há semelhanças entre as formas como os dois pressionaram por mudanças em seus partidos. Cameron, de 43 anos, tem em comum com o ex-premiê trabalhista britânico a facilidade com que lida com a mídia.

Filho de um operador da Bolsa de Valores, Cameron cresceu na cidade de Newbury, no condado de Berkshire (sul da Inglaterra), com o irmão Alec e as irmãs Tania e Clare. Ele seguiu a tradição da família e estudou na prestigiada escola Eton, em Berkshire, e na Universidade de Oxford, onde se graduou em Filosofia, Política e Economia.

© AP
Cameron é visto ao lado da mulher, Samantha

O primeiro-ministro britânico mais jovem desde 1812, Cameron vem de uma família bastante tradicional, com uma árvore genealógica que remonta ao rei britânico Guilherme 4º (1765-1837), o que o torna um parente distante da rainha Elizabeth.

Considerado por amigos como "brilhante" e "humilde", Cameron também já foi classificado por pessoas que acompanharam sua carreira como "escorregadio" e "ambicioso".

Colegas de escola afirmam que Cameron nunca se destacou por seu desempenho acadêmico ou por seu interesse em política. Durante seu período em Oxford, também não se envolveu com política acadêmica. Segundo um amigo da época, "ele estava mais interessado em aproveitar".

Carreira

Após sair de Oxford, Cameron chegou a considerar uma carreira como jornalista ou no mercado financeiro, mas escolheu trabalhar no Departamento de Pesquisa do Partido Conservador, tornando-se assessor do ex-premiê John Major (1990-1997).

Foi também, durante sete anos, chefe de relações públicas da emissora comercial Carlton, enquanto tentava se tornar um parlamentar, o que conseguiu em 2001.

A essa altura, Cameron estava casado e tinha uma família. Sua esposa, Samantha, filha de um proprietário de terras, era dona de uma loja de material para escritórios. Eles têm dois filhos, Nancy e Arthur, e ela está grávida novamente, com o parto programado para setembro. Seu primeiro filho, Ivan, que nasceu com graves deficiências, morreu em fevereiro de 2009.

Cameron foi descoberto pelo ex-líder conservador Michael Howard em meados da década de 1990, mas quando entrou na corrida para ser o sucessor de Howard, em 2005, poucos prestaram atenção ao novato que havia se tornado um político pouco tempo antes. Foi preciso um eletrizante discurso em uma conferência do Partido Conservador, proferido de improviso - o que se tornaria sua marca registrada - para mudar a opinião de seus correligionários.

No começo de seu período à frente dos conservadores, Cameron era um otimista. Ele exortou o partido a pôr fim à sua obsessão em relação à Europa (o partido tem grande resistência a uma integração total do país ao bloco), e tentou reposicionar os conservadores como um partido que se importava com o meio ambiente e com o NHS (o sistema público de saúde britânico). Tentou também recrutar mais mulheres e candidatos de minorias étnicas.

Cameron também usou o escândalo sobre os gastos de deputados que sacudiu o governo Brown para criar a imagem de reformista radical, comprometido em moralizar a política. Foi ajudado nessa missão por conservadores mais velhos e mais tradicionais, que estavam sendo forçados a se aposentar para abrir caminho para conservadores mais jovens e contemporâneos.

Ele foi recompensado com boa aprovação nas pesquisas, mas a crise econômica o forçou a abandonar grande parte de sua retórica otimista em nome de um discurso mais sóbrio, advertindo eleitores para a chegada de tempos difíceis, de cortes nos gastos públicos.

Eleições

Exceto por um período em que Gordon Brown obteve grande popularidade após se tornar primeiro-ministro, em 2007, Cameron sempre foi considerado um dos favoritos do eleitorado para ocupar o cargo.

Durante a campanha, no entanto, ele viu parte desta popularidade ser ameaçada por Nick Clegg, líder do partido Liberal Democrata e que tem uma origem parecida com a de Cameron, além do mesmo jeito suave e televisivo.

Depois de um primeiro debate televisionado em que aparentemente perdeu para Clegg, Cameron, no entanto, conseguiu se recuperar e, de acordo com pesquisas de opinião, venceu os dois debates seguintes.

A atuação fez com que Cameron e parte de seus correligionários esperassem uma grande vitória nas eleições. Mas os conservadores não conseguiram a maioria absoluta no parlamento, o que fez com que o novo premiê fosse obrigado a negociar com Clegg para formar no novo governo.

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