Cuba concorda em melhorar condições de presos

Segundo Guillermo Farinas, os prisioneiros detidos em prisões distantes serão transferidos para mais perto de suas casas

BBC Brasil |

selo

As autoridades cubanas concordaram em relaxar as condições de detenção dos prisioneiros políticos depois de negociações com líderes da Igreja Católica na ilha, informou um proeminente dissidente cubano.

Segundo o dissidente Guillermo Farinas, que iniciou uma greve de fome três meses atrás após a morte de um dissidente sob custódia das autoridades, os prisioneiros detidos em prisões distantes serão transferidos para mais perto de suas casas e os prisioneiros doentes serão transferidos para hospitais. Ainda não há confirmação oficial da mudança de postura, mas uma fonte da Igreja Católica confirmou a informação.

O correspondente da BBC em Havana, Michael Voss, disse que a questão dos prisioneiros políticos foi debatida durante uma reunião de quatro horas na quarta-feira passada entre o presidente cubano, Raúl Castro, o cardeal Jaime Ortega e o arcebispo de Santiago de Cuba, Dionísio Garcia. Grupos de defesa dos direitos humanos estimam que haja cerca de 200 prisioneiros políticos cumprindo pena nas prisões cubanas, sendo que o estado de saúde de 30 deles é considerado grave.

As autoridades cubanas negam que haja qualquer prisioneiro político, chamando-os de mercenários pagos pelo governo dos Estados Unidos para minar o sistema da ilha.

Greve de fome

Farinas, que é jornalista, disse que o bispo auxiliar de Havana visitou-o no hospital, neste sábado, com a mensagem do cardeal Ortega. Uma segunda reunião entre representantes da Igreja e do governo deve ser realizada na semana que vem para "resolver a situação dos prisioneiros", disse Farinas por telefone à agência de notícias Reuters.

Pouco depois do encontro desta semana, o cardeal Ortega disse a jornalistas que a Igreja está interessada em "algum tipo de alívio para a situação dos prisioneiros, que poderia incluir a libertação de alguns deles".

Farinas está em greve de fome desde fevereiro e neste domingo anunciou que vai manter sua ação até que pelo menos 10 prisioneiros políticos sejam libertados e até receber um calendário da igreja para a libertação de outros. Seu protesto começou após a morte do dissidente Orlando Zapata Tamayo, no último dia 23 de fevereiro, depois de 85 dias de greve de fome.

As autoridades cubanas vêm enfrentando críticas internacionais por causa de desrespeito aos direitos humanos desde a morte de Zapata.

    Leia tudo sobre: cuba

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG