Cristina Kirchner nega barreiras contra enlatados do Brasil

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, negou nesta sexta-feira, que aplicará barreiras comerciais contra enlatados brasileiros a partir do dia primeiro de junho, como sugeriram relatos da imprensa do país. "Não houve e não haverá restrições às importações brasileiras", disse a presidente após encontro de quarenta minutos com o presidente Lula, no Rio de Janeiro, onde participaram do Fórum da Aliança de Civilizações.

BBC Brasil |

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As novas barreiras comerciais tinham sido atribuídas pela imprensa argentina ao secretário de Comércio do país, Guillermo Moreno, que teria telefonado para os importadores pedindo suspensão de compras de alimentos enlatados do Brasil. A medida gerou fortes críticas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e declarações do secretário de Comércio Exterior do Brasil, Welber Barral, dizendo que haveria represálias, caso a barreira, alegadamente sanitária, fosse adotada. Uma semana Nesta sexta, as principais emissoras de televisão do país, como a TN (Todo Noticias), de Buenos Aires, destacaram declarações que teriam sido feitas pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, sobre a disputa comercial. "Dizem que algumas autoridades argentinas estimularam alguns supermercados a comprar produtos nacionais. É algo que não gostamos e vai acabar tendo algum tipo de consequência", disse, segundo a agência ANSA, reproduzida no site argentino Infobae. Horas antes da chegada de Cristina Kirchner ao Brasil, três ministros argentinos também descartaram que barreiras fossem aplicadas. De acordo com o jornal argentino La Nación, a barreira sanitária atrasaria, em pelo menos uma semana, o desembarque das mercadorias brasileiras. O analista Raul Ochoa, professor da Universidade de Buenos Aires (UBA), especializado em assuntos comerciais, disse à BBCBrasil que "na dúvida e por temor a alguma medida do governo, os importadores já limitam as importações" do Brasil. O ex-secretário de Indústria, o economista Dante Sica, da consultoria Abeceb, disse que a Argentina "tem mais a perder do que o Brasil nesta disputa", já que ela hoje depende mais das exportações ao Brasil. Além disso, as exportações brasileiras para a Argentina, como recordou Ochoa, são principalmente do setor industrial enquanto, na mão inversa, incluem maior participação de aimentos. "Se houver represália do Brasil, a Argentina sai perdendo", afirmou Ochoa.

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