Confrontos transformam Bangcoc em 'zona de guerra'

Enfrentamentos entre manifestantes de oposição e forças de segurança da Tailândia deixam um general baleado e ao menos um morto

BBC Brasil |

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Novos confrontos entre manifestantes de oposição e as forças de segurança da Tailândia ocorreram nesta sexta-feira. As tropas do governo dispararam contra manifestantes ao avançar sobre acampamentos montados no centro da capital, Bangcoc.

Manifestantes atearam fogo a um ônibus em uma área próxima a embaixadas estrangeiras após os enfrentamentos que deixaram uma pessoa morta na véspera. O correspondente da BBC Alastair Leithead, em Bangcoc, diz que o centro da cidade parece uma "zona de guerra".

Os manifestantes da oposição, conhecidos como "camisas vermelhas", querem a renúncia do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva. Os camisas-vermelhas, em sua maioria moradores pobres das áreas rurais do país, apoiam o ex-premiê Thaksin Shinawatra, derrubado por um golpe de Estado em 2006.

À noite, as forças de segurança interromperam o fornecimento de energia elétrica na área no entorno de um grande acampamento de manifestantes no centro da capital.

Um general dissidente que apoia os protestos da oposição continuava nesta sexta-feira em estado crítico após ter sido baleado na véspera por um atirador desconhecido . Ao menos uma pessoa morreu nos confrontos de quinta-feira

Bombas de gás

Nesta sexta-feira, as tropas do governo dispararam bombas de gás lacrimogêneo contra dezenas de manifestantes que haviam instalado um bloqueio próximo ao mercado noturno de Suan Lum para impedir os soldados de chegarem ao seu acampamento.

Moradores fugiram em pânico diante do ruído de tiros e dos soldados avançando sobre a área, que é uma região popular entre os turistas que visitam a capital tailandesa.

As autoridades também começaram a cortar nesta sexta-feira o transporte público e o sinal para telefonia celular na área ocupada pelos manifestantes.

O governo vem ameaçando há dias cortar a energia, a água e o suprimento de comida para o acampamento dos opositores no centro da cidade.

Mas os manifestantes têm seus próprios suprimentos e parecem dispostos a enfrentar um longo cerco, segundo afirma o correspondente da BBC.

Eleições

Os manifestantes, que vêm ocupando partes de Bangcoc por mais de dois meses, querem que o primeiro-ministro dissolva o Parlamento e convoque novas eleições. Os acampamentos dos opositores se espalham do centro comercial da cidade até o centro financeiro, mais ao sul.

A pior crise política no país em quase duas décadas já deixou cerca de 30 pessoas mortas e mais de 1.400 feridas. O premiê Abhisit Vejjajiva está sob intensa pressão para controlar os protestos, que paralisam Bangcoc desde o meio de março.

Ele já ofereceu a realização de eleições em 14 de novembro, mas os dois lados não chegaram a um acordo por causa das disputas sobre quem deve ser responsabilizado pela repressão aos protestos das últimas semanas.

Assista ao vídeo da BBC Brasil:

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