Comitê argentino prevê problemas em voos de Buenos Aires até terça

Operações nos aeroportos da capital argentina foram suspensos por 30 horas desde o meio-dia desta segunda-feira

BBC Brasil |

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As cinzas do vulcão chileno Puyehue permanecerão no espaço aéreo de Buenos Aires pelo menos até terça-feira , dificultando os voos neste período, segundo informou nesta segunda-feira o comitê de crise argentino formado desde a erupção do vulcão.

Minutos depois do parecer do comitê, a Aerolíneas Argentinas informou que suspendia todos os voos desta terça-feira. A tendência era que as demais companhias aéreas fizessem o mesmo. As principais redes de TV e sites de notícias argentinos dizem que as operações nos aeroportos da capital argentina foram suspensos por 30 horas desde o meio-dia desta segunda-feira. Na semana passada, mais de 300 voos foram cancelados nos aeroportos de Buenos Aires por causa dass cinzas vulcânicas.

O comitê de crise tem baseado suas recomendações nas previsões do Serviço de Meteorologia Nacional (SMN). Os aeroportos funcionaram no sábado e até o inicio da noite de domingo, quando os voos voltaram a ser suspensos por causa do retorno dos resíduos vulcânicos ao espaço aéreo da capital argentina.

As empresas TAM, GOL, LAN e Aerolíneas Argentinas, entre outras, cancelaram seus voos desde a noite de domingo.

O aeroporto de Carrasco, em Montevidéu, no Uruguai, também suspendeu seus voos desde a noite de domingo e mantinha irregularidades nas decolagens e aterrissagens nesta segunda-feira. "Existem cinzas vulcânicas principalmente no nosso território, e por isso as companhias aéreas decidiram não operar, atendendo seus critérios de segurança", disse Jorge Bentos, chefe de operações terrestres da Puerta del Sur, concessionária do aeroporto.

Segundo ele, entre domingo e segunda-feira, foram canceladas 34 decolagens e pelo menos 35 aterrissagens no local. Nesta segunda-feira, o aeroporto de Santiago também registrava cancelamentos nos voos para Buenos Aires e Córdoba, na Argentina, e Montevidéu.

Sem previsão

Geólogos chilenos afirmaram à imprensa local que não há previsão de quando o complexo vulcânico Pueyehue-Cordón Caulle vai parar de emitir cinzas. No fim de semana, os resíduos vulcânicos também levaram ao cancelamento de voos na Austrália e na Nova Zelândia.

Nesta segunda-feira, as principais cidades argentinas, próximas do vulcão, como Bariloche, (a 90 km do Puyehue), continuavam sem aulas e com cortes intermitentes de energia elétrica. "Temos de cortar a luz para limpar os geradores que estão cobertos de cinzas", disseram responsáveis pela empresa local de energia.

A situação era mais complicada na localidade de Villa La Angostura, na Província de Neuquén, a 40 km do vulcão. "Não podemos fazer nada contra a natureza. Devo confessar que dá vontade de chorar", disse Mauro Memmo, dono de um hotel, em Villa La Angostura, ao canal de TV C5N. Segundo ele, não haverá tempo para limpar todos os "quilos de cinzas" que caíram antes do início da temporada de inverno, quando o turismo cresce na região.

Pacotes turísticos

De acordo com a assessoria de imprensa do município de Bariloche, as agências de turismo começaram a remarcar os pacotes para o local, passando do dia 17, quando começa o inverno, para a partir do dia 21, quando os voos para a região deverão ser retomados.

"O Cerro Catedral, que é nosso principal cartão postal, já está limpo, e a neve começou a cair. Esperamos que tudo esteja normalizado até o dia 21", informou à BBC Brasil a assessoria de imprensa do município.

O supervisor de operações da agência de turismo CVC, Gian Carlo Perez, disse à BBC Brasil que pelo menos 500 passageiros não puderam embarcar em Buenos Aires de volta para o Brasil nas datas programadas por causa do cancelamento dos voos da semana passada.

"Levamos todos de volta para os hotéis até que os voos foram liberados no fim de semana. Mas agora temos de voltar a acomodar os passageiros de novo nos hotéis, já que os voos foram cancelados novamente.", disse Perez.

Segundo ele, somente nesta segunda-feira deixaram de chegar à Buenos Aires, pela mesma agência, 398 turistas de diferentes cidades brasileiras que também não puderam embarcar por causa da suspensão das operações aéreas.

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