Com segurança sob controle, prioridade no Haiti é abrigo contra chuva

Dois meses e meio depois do terremoto que mergulhou o Haiti no caos, a segurança está sob controle, e o principal desafio é conseguir abrigo para as vítimas antes da temporada de chuvas, disse nesta quarta-feira o comandante-geral da Missão da ONU no país, general Floriano Peixoto.

BBC Brasil |



"A segurança está completamente sob controle", disse o general brasileiro, que chefia a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).

"A prioridade das tropas agora é ter tudo pronto para a estação de chuvas, que deve começar no próximo mês", afirmou Peixoto, em uma entrevista por telefone, ao lado do comandante das tropas americanas no Haiti, general Ken Keen.

Segundo o comandante brasileiro, todos os 900 militares que o governo do Brasil prometeu enviar ao Haiti como reforço após o terremoto já estão atuando no país, totalizando um contingente de 2,2 mil brasileiros.

Peixoto comanda os 8,5 mil militares de 19 países que integram a Minustah, sendo 2,5 mil na capital, Porto Príncipe.

De acordo com o general, esse contingente é o suficiente para manter a ordem, mesmo caso o Haiti decida realizar as eleições que foram adiadas por causa do terremoto antes do fim do ano.

"Em termos militares, estamos preparados para apoiar qualquer decisão nacional de implementar eleições no país", disse Peixoto.

Depois de um ano à frente da Minustah, Peixoto deixa o Haiti no dia 9 de abril. Ele será substituído pelo general Luiz Guilherme Paul Cruz, que já está no país.

Liderança

Calcula-se que mais de 200 mil pessoas tenham morrido e pelo menos 1 milhão ficado desabrigadas depois do terremoto que atingiu o Haiti em 12 de janeiro.

Nesta quarta-feira, no mesmo dia em que uma conferência de doadores decidia alternativas para o futuro do país em Nova York, os comandantes militares evitaram comentar os questionamentos sobre a capacidade do governo haitiano de liderar a reconstrução do país.

"Esse tema será discutido na conferência de doadores, mas a reconstrução deve envolver haitianos ajudando haitianos, e haitianos liderando haitianos, com o auxílio da comunidade internacional", disse o general Keen.

A presença militar americana no Haiti, que chegou a contar com 22 mil homens no auge dos esforços de ajuda, hoje é de 2,5 mil homens. "Ajustamos o tamanho da força às necessidades em solo", disse Keen.

O comandante americano disse não ter uma previsão de quanto tempo as suas tropas vão permanecer no país.

"Os povos do Haiti e dos Estados Unidos têm uma longa amizade, é mais do que natural que estejamos aqui", afirmou Keen. "Ainda é muito cedo para saber quantos anos vai levar até que o país se recupere."

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