Com morte de Kirchner, Unasul tem chance de reavaliar liderança

Morte de ex-líder argentino, que desde maio era o secretário-geral, deverá abrir discussão sobre o papel da chefia do grupo

BBC Brasil |

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A morte de Néstor Kirchner, que desde maio era o secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), deverá abrir uma discussão sobre o papel da chefia de um grupo que, apesar de regional, vem tentando se projetar politicamente para o resto do mundo.

A avaliação de diplomatas brasileiros ouvidos pela BBC Brasil é que um sucessor com “melhor trânsito” entre as diversas lideranças da América do Sul ajudará a contribuir para a “legitimidade” da Unasul. Ex-presidente da Argentina e membro do Partido Justicialista (peronista), Kirchner era mais alinhado aos governos de esquerda na região, entre eles a Venezuela de Hugo Chávez.

A sucessão de Kirchner deverá dominar a reunião dos presidentes da Unasul, que já estava programada para o dia 26 de novembro, em Georgetown, capital da Guiana.

De acordo com o Itamaraty, o tratado constitutivo da Unasul não menciona de forma específica como deverá ser a sucessão do secretário-geral em caso de morte. A recomendação geral é que o sucessor não seja da mesma nacionalidade que o anterior.

Mudanças políticas

A candidatura de Kirchner à secretaria-geral da Unasul já havia sido vetada pelo governo uruguaio, há dois anos, mas voltou ao centro da mesa neste ano por pressão do Equador e da Venezuela.

A escolha do argentino foi “política”, segundo uma fonte do Palácio do Planalto, sobretudo em um contexto “sem opções”. “A liderança do grupo poderá agora ser revista, principalmente se considerarmos que estamos vivendo um momento de mudanças políticas na região”, diz a fonte.

Na avaliação dessa mesma fonte, o grupo precisa considerar, por exemplo, a eleição no Chile de um governo mais alinhado à direita e, na Colômbia, a posse de Juan Manuel Santos, que vem demonstrando uma maior predisposição à integração regional. “O ideal seria que a Unasul tivesse um líder voltado exclusivamente às questões regionais, que não são poucas. E sempre com bom trânsito”, diz a fonte.

Segunddo um representante da diplomacia brasileira, Kirchner “poderia ter sido mais proativo nos principais debates”, mas esse mesmo diplomata pondera que o trabalho de chefiar a Unasul “não é nada fácil” diante das diferentes demandas da região.

Uma de suas principais missões no cargo de secretário-geral foi intermediar o conflito político entre Colômbia e Venezuela, que romperam relações diplomáticas em julho devido a denúncias envolvendo a suposta presença das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em terreno venezuelano.

Kirchner participou de conversas com os dois governos na tentativa de restabelecer as relações entre Bogotá e Caracas. Mas, para muitos analistas, a eleição de Santos em substituição a Álvaro Uribe teria sido o grande impulso para a solução do conflito.

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