Colombianos preparam marcha nacional contra as Farc

Protesto tem como motivação anúncio da morte de quatro reféns sequestrados há mais de 10 anos

BBC Brasil |

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O anúncio da morte de quatro reféns que estavam em poder das Farc (Forças Revolucionárias da Colômbia) revoltou os colombianos que, neste domingo, manifestaram-se em redes sociais como o Twitter e o Facebook para divulgar a realização de uma grande marcha nacional contra o grupo armado no próximo dia 6 de dezembro.

Desde o sábado à noite, quando o governo noticiou o assassinato, pelas Farc, dos prisioneiros militares Libio José Martínez e Édgar Yesid Duarte, Elkín Hernández Rivas e Álvaro Moreno, as redes sociais começaram a ser usadas para expressar repúdio às Farc e solidariedade aos familiares das vítimas, todas sequestradas há mais de uma década.

Um quinto refém que estava no grupo, o sargento Luis Alberto Erazo Maya, conseguiu escapar e foi resgatado.

O cientista político Eduardo Pastrana ressaltou à BBC Brasil que não é a primeira vez que a população colombiana “organiza-se” via internet para protestar contra as Farc, especialmente pela liberação de prisioneiros e sequestrados pela guerrilha.

"Em 2008, em uma convocatória nas redes sociais, um grupo de jovens conseguiu levar milhares de pessoas às ruas de Bogotá e de outras cidades em defesa da libertação de reféns", lembra Pastrana.
Apesar da mobilização, ele acredita que as manifestações têm pouco efeito no sentido de agilizar uma negociação mais efetiva entre governo e guerrilha.

"Estamos em uma fase tensa do conflito, especialmente pela morte de Alfonso Cano (executado pelo Exército no começo de novembro). Por isso, mesmo que os protestos não exerçam pressão sobre as Farc, eles servem de termômetro para ver o quanto a população rejeita a ação da guerrilha", analisa.

Segundo Pastrana, "o problema é que com este tipo de reação, as Farc voltam a cometer crimes de lesa-humanidade e de guerra, o que torna difícil o diálogo futuro por qualquer tipo de anistia”.

Reféns
A estimativa da Corporación Nuevo Arco Iris, ONG colombiana que atua na busca da paz no país, é de que as Farc ainda tenham entre 11 e 12 reféns (prisioneiros de guerra, a maioria militares) e uma centena de sequestrados (neste caso, majoritariamente para extorsão de dinheiro).

O coordenador da ONG, Ariel Ávila, critica a ação do governo em tentar resgatar os reféns sem negociar e diz que este tipo de operação é sempre um risco.

"O governo já fracassou em outras situações, como em 2007, quando 11 deputados reféns foram mortos pelas Farc assim que tropas do Exército chegaram ao acampamento da frente onde estava o grupo", disse.

Ariel Ávila argumenta que desde a liberação da ex-senadora Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns, dentre eles alguns estrangeiros, em julho de2008, o governo colombiano não tem priorizado as negociações por liberação de prisioneiros.

"A atitude do presidente Juan Manuel Santos para ganhar a opinião pública vem sendo muito agressiva. Ainda que o governo saiba onde estão todos os reféns, é importante negociar pela libertação. As tentativas de resgate são sempre arriscadas para os reféns. O caminho mais adequado é o da negociação", defende.

Ávila também comenta que há cinco dias as Farc haviam encaminhado uma carta para a ONG Colombianos pela Paz, na qual a guerrilha manifestava o interesse de liberar seis sequestrados militares. Depois do anúncio da morte dos quatro reféns, as Farc também divulgaram um comunicado em sua agência de notícias na internet, a Anncol.

No texto, a guerrilha "lamenta" a morte dos reféns e atribui a "culpa" dos assassinatos ao próprio governo Santos, por ter ordenado a busca pelos prisioneiros e ataque ao acampamento onde eles estavam.
"O presidente Santos é o principal culpado por ter negado, em varias ocasiões, a saída civilizada ao problema dos prisioneiros de guerra de ambas as partes", diz o comunicado, assinado pelo secretariado das Farc.

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