Colombiano procurado por ligação com as Farc é detido na Venezuela

Joaquín Pérez Becerra era procurado pelo governo da Colômbia, que o acusa de financiar atividades terroristas

BBC Brasil |

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Autoridades venezuelanas anunciaram a detenção de um colombiano acusado em seu país de vínculos com terrorismo. Joaquín Pérez Becerra foi detido na noite deste sábado no Aeroporto Internacional de Maiquetia, que serve Caracas, ao tentar ingressar ao país a partir de um voo procedente de Frankfurt (Alemanha).

Pérez Becerra é diretor da ANNCOL, agência de notícias que habitualmente reproduz os comunicados oficiais das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Ele é acusado pela Justiça colombiana de "financiamento de terrorismo" e "administração de recursos relacionados com atividades terroristas".

De acordo com autoridades venezuelanas, a Colômbia havia solicitado à Interpol o "alerta vermelho" para incluir ao colombiano na lista das pessoas mais procuradas do mundo. O governo venezuelano emitiu um comunicado afirmando que a detenção de Pérez Becerra "ratifica o compromisso" do presidente venezuelano, Hugo Chávez, "na luta contra o terrorismo, a delinquência e o crime organizado".

A prisão de Pérez Becerra deu origem a protestos de ativistas em redes sociais. Eles argumentam que o diretor da ANNCOL vivia como exilado político na Suécia, razão pela qual sua deportação pode significar a violação de acordos internacionais firmados entre Colômbia e Suécia.

Tráfico

A detenção do diretor da ANNCOL ocorre em meio à crescente expectativa do governo venezuelano para a extradição do narcotraficante sírio-venezuelano Walid Makled, capturado na Colômbia no ano passado.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, prometeu a Chávez entregar a Makled, contrariando pedido do governo dos Estados Unidos, que quer submeter o traficante à Justiça americana. Makled é um dos principais chefes do narcotráfico procurados pelos Estados Unidos.

Em depoimentos na prisão, Makled acusou funcionários do governo venezuelano, inclusive altos oficiais, de terem facilitado suas operações na Venezuela. O governo de Caracas afirma que Makled será levado a julgamento.

O deputado governista Carlos Escarrá defendeu que as denúncias sejam investigadas a fundo. A extradição de Makled e a política do governo venezuelano de "blindar" o trânsito de guerrilheiros no país corresponde à "lua-de-mel" que vivem os governos de Santos e Chávez, após anos de acusações, que tinham como pivô as guerrilhas colombianas.

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