Colômbia extradita para a Venezuela traficante procurado pelos EUA

Extradição de Walid Makled reflete melhora nas relações entre vizinhos regionais, após anos de crise entre Chávez e o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe

BBC Brasil |

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O governo da Colômbia extraditou nesta segunda-feira o suposto narcotraficante venezuelano Walid Makled de volta ao seu país, em uma ação que ressaltou o atual bom relacionamento entre Caracas e Bogotá.

A entrega de Makled era uma promessa do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, a seu colega venezuelano, Hugo Chávez, e foi feita mesmo com a pressão dos Estados Unidos, que queria receber a extradição do suspeito.

AP
Oficiais colombianos levam Walid Makled no aerorporto de Bogotá, de onde seguiu para Caracas
Makled é um dos homens mais procurados pelos Estados Unidos, que querem submetê-lo a julgamento por tráfico de cocaína. O destino do acusado gerou uma disputa com Caracas, que também quer levá-lo a um tribunal. 

"(A extradição) é uma grande vitória da Justiça venezuelana", afirmou o ministro de Interior e Justiça venezuelano, Tareck El Aissami.

Santos não cedeu à pressão dos EUA, principal aliado colombiano na região, argumentando que a Venezuela havia pedido antes dos americanos a extradição do narcotraficante.

Assassinato

Detido na Colômbia no ano passado, Makled, de 47 anos, é acusado de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e assassinato. Cercado por um forte esquema de segurança que o acompanhou desde sua saída de Bogotá, Makled seria levado ao Palácio de Justiça logo após sua chegada a Caracas.

O julgamento do ‘traficante’ é marcado por polêmicas. Em depoimentos na prisão, ele disse ter uma lista de nomes de generais do Exército e funcionários do governo venezuelano que estariam envolvidos em sua rede - que operava no segundo principal porto do país, o de Porto Cabello. A rota da droga colombiana tinha a Venezuela como corredor para chegar até os Estados Unidos, seu destino final.

A oposição venezuelana questiona a capacidade da Justiça de realizar um julgamento "imparcial", já que Makled disse ter provas contra funcionários do governo. Deputados governistas, por sua vez, defendem uma investigação, "caia quem tiver de cair", afirmam.

O vice-ministro de Prevenção e Segurança, Néstor Reverol disse que Makled será levado a julgamento nas próximas 24 horas e ressaltou que "será aplicado todo o peso da lei contra quem estiver envolvido, seja quem for”.

A queda do clã da família Makled começou em 2008, quando três de seus irmãos foram capturados depois de uma batida policial em uma fazenda do grupo, onde foram encontrados 300 quilos de cocaína. Walid Makled teria fugido.

Makled controlava redes de transporte e venda de ureia, fertilizante utilizado para produção de cocaína. Ele também foi proprietário da companhia aérea Aeropostal, uma das maiores do país, nacionalizada pelo governo depois que veio à tona o envolvimento da família Makled com o tráfico de drogas. Na prisão, em Bogotá, Makled disse ter uma fortuna de US$ 1,2 bilhão.

Pacto

A fase de "colaboração" nas relações entre Caracas e Bogotá teve início após um pacto feito por ambos os presidentes no fim de 2010, após anos de crises entre Chávez e o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe.

Durante a crise entre os vizinhos, Chávez ordenou levar a zero as relações comerciais com a Colômbia, afetando a balança comercial colombiana em pelo menos US$ 5 bilhões. Agora, os países costuram uma espécie de tratado de livre comércio, que deve facilitar a entrada dos produtos colombianos à Venezuela.

Por outro lado, enquanto era tramitada a extradição, Chávez ordenou endurecer o cerco nas zonas fronteiriças e capturou chefões do tráfico em trânsito pelo país.

A manutenção das relações dos "novos melhores amigos", como se definem ambos os presidentes, levou Chávez a comprar uma briga com a esquerda chavista, quando decidiu deportar, a pedido de Santos, o jornalista Joaquin Pérez Becerra, diretor da ANNCOL - agência de notícias de difunde comunicados das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), principal grupo guerrilheiro colombiano.

De nacionalidade sueca, Becerra foi detido no aeroporto internacional da Venezuela vindo de Frankfurt, na Alemanha, e deportado horas depois à Colômbia. Ativistas e políticos venezuelanos afirmam que sua extradição foi ilegal.

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