Clérigo é preso na Indonésia acusado de ligação com terrorismo

Segundo autoridades, Abu Bakar Bashir ajudou a financiar campo de treinamento de militantes que planejavam assassinar presidente

BBC Brasil |

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O clérigo muçulmano radical Abu Bakar Bashir foi preso na Indonésia sob acusação de envolvimento com terrorismo. Autoridades locais afirmam que ele ajudou a criar e financiar um campo de treinamento para extremistas islâmicos em Aceh, descoberto pela polícia em fevereiro.

O grupo extremista Jemaah Ansharut Tauhid, que operaria no campo, foi acusado de tramar o assassinato do presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono. Bashir já havia sido preso em 2003, sob acusação de envolvimento com o grupo extremista Jeemah Islamiah (JI), responsável pelos atentados em Bali, que deixaram 202 mortos em 2002.

AP
Abu Bakar Bashir é escoltado por policiais em Jacarta, na Indonésia
O clérigo de 71 anos de idade chegou a passar 26 meses na prisão, mas foi libertado em 2006, após ser inocentado das acusações de ser líder espiritual do grupo - que tem ligações com a Al-Qaeda.

Acusações significativas"

Segundo autoridades locais, Bashir foi preso em Java Ocidental pela polícia antiterrorismo, mas ainda não foi indiciado. Segundo as leis da Indonésia, a polícia pode interrogar suspeitos de terrorismo por até uma semana, sem apresentar acusações.

"Ele estava envolvido com a rede de terror em Aceh. Como sabemos, o grupo terrorista de Aceh está ligado à Jeemah Islamiah e a muitos outros grupos extremistas em nosso país", disse à BBC Ansyaad Mbai, chefe da unidade antiterror da Indonésia. "Uma das acusações é de que ele providenciou financiamento para o campo de treinamento militar em Aceh. É uma das muitas acusações que pesam contra ele", disse Mbai.

Segundo a correspondente da BBC em Jacarta Karishma Vaswani, a polícia teria dito que Bashir desempenhou papel ativo na criação do campo, apontando pessoas-chave e recebendo relatórios dos extremistas. Segundo a correspondente, as acusações de planejamento e criação de uma rede de terror são muito diferentes das feitas contra Bashir no passado - de liderança moral e espiritual.

Ao chegar à delegacia, o clérigo declarou: "Esta é a graça de Deus para reduzir o pecado. Isso foi maquinado pelos Estados Unidos". O filho de Bashir, Abdul Rohim, apelou pelo tratamento justo de seu pai e sua mãe, que também foi presa.

"Apelamos à polícia que trate bem meus pais. Ele é inocente, ele estava apenas cumprindo suas obrigações como muçulmano", disse Rohim.

'Nova frente do extremismo'

Acredita-se que Bashir seja o líder do grupo de linha-dura islâmico Jemaah Ansharut Tauhid (JAT), criado em 2008. A organização foi descrita recentemente em um relatório do instituto belga International Crisis Group como "grupo que acolhe indivíduos que têm relações com extremistas fugitivos". A polícia realizou buscas no quartel-general do JAT em Jacarta em maio e prendeu três dos seguidores de Bashir.

Eles são acusados de ligação com o campo de treinamento de Aceh, afirma o International Crisis Group. Bashir nega qualquer ligação com o grupo ou o campo. As autoridades acreditam que o JAT planejava realizar um atentado nas comemorações pelo dia da independência, em 17 de agosto, que deverão contar com a presença do presidente indonésio.

As informações são de que o ataque seria semelhante aos que ocorreram em Mumbai, na Índia, em novembro de 2008, quando militantes islâmicos causaram a morte de 166 pessoas. O JAT nega qualquer conexão com o extremismo e afirma que é uma organização islâmica legítima.

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