Cientista paquistanesa pega 86 anos de prisão por atirar em americanos

Após ser presa no Afeganistão, neurocientista abriu fogo contra agentes que a interrogavam

BBC Brasil |

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A Justiça de Nova York, nos Estados Unidos, sentenciou nesta quinta-feira uma neurocientista paquistanesa, Aafia Siddiqui, a 86 anos de prisão por ter tentado atacar soldados americanos e agentes do FBI (a polícia federal americana) no Afeganistão.

Durante o julgamento, a promotoria acusou a paquistanesa de abrir fogo contra agentes americanos que a interrogaram logo após a prisão e de carregar anotações e compostos químicos que poderiam ser usados para lançar um atentado. Comentando a decisão, a promotora americana Preet Bharara disse que o júri considerou Siddiqui culpada de "tentar assassinar americanos servindo no Afeganistão, além de seus colegas afegãos", por "unanimidade".

AFP
Mãe e irmã de Aafia Siddiqui dão entrevista coletiva em Karachi, Paquistão


Os advogados da paquistanesa pediram uma sentença de 12 anos, alegando que Siddiqui sofria de problemas mentais na época em que foi presa. Os promotores, por sua vez, tinham pedido prisão perpétua e afirmaram que ela era uma simpatizante da Al-Qaeda. O anúncio da sentença provocou protestos de simpatizantes da cientista no Paquistão e nos Estados Unidos.

Anotações e rifle

Aafi Siddiqui, de 38 anos, foi presa em julho de 2008 no Afeganistão. Na ocasião, Siddiqui teria sido flagrada com recipientes contendo compostos químicos não identificados e anotações com referências a construção de bombas, além de uma lista de locais turísticos de Nova York.

Durante o julgamento, a promotoria mostrou as notas e disse que elas seriam provas de que a cientista era uma terrorista em potencial. Segundo a promotoria, enquanto estava sendo interrogada por autoridades americanas, ainda no Afeganistão, ela teria agarrado um rifle e abriu fogo contra os agentes, gritando "morte aos americanos".

Siddiqui estudou no famoso Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, antes de se casar com um parente do acusado de planejar os ataques de 11 de setembro de 2001, Khalid Sheikh Mohammed, e retornar para o Paquistão.

A neurocientista se manifestou várias vezes durante o julgamento, o que fez com que ela fosse expulsa da sala de julgamento vária vezes.

Tortura

Siddiqui fez uma declaração durante a sessão em que sua sentença foi anunciada negando alegações de que teria sido torturada durante o tempo de sua prisão nos Estados Unidos. As alegações, feitas por sua própria família, fizeram com que o caso ganhasse mais destaque, sendo acompanhado por grupos de defesa de direitos humanos.

"Isto é um mito e uma mentira e está sendo espalhado entre os muçulmanos", disse. "Não quero derramamento de sangue. Não quero mal-entendidos. Realmente quero a paz e o fim das guerras", acrescentou.

A irmã da neurocientista, Fowzia Siddiqui, afirmou que a sentença desta quinta-feira será "prejudicial aos Estados Unidos, de todas as formas". "Esta decisão prova que o sistema de Justiça, que os Estados Unidos acreditam ser motivo de orgulho, já não é mais eficaz. Este é o começo do declínio dos Estados Unidos. Se Deus quiser, vou trazer Aafia de volta para casa", disse.

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