Choques secundários sacodem a Nova Zelândia

Defesa Civil estima que mais de 500 edifícios tenham sido danificados

BBC Brasil |

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Uma série de choques secundários sacudiu Christchurch, a segunda maior cidade da Nova Zelândia, depois do terremoto de 7 graus de magnitude que atingiu a região nesta sexta-feira (madrugada de sábado, hora local). O toque de recolher imposto na cidade na noite de sábado para domingo foi suspenso, mas partes de Christchurch continuam isoladas, informou a Rádio Nova Zelândia.

Segundo a polícia, o toque de recolher foi imposto para proteger os moradores da possível queda de escombros, já que o tremor causou danos significativos.

AP
Policial é visto em rua bloqueada por destroços de prédio danificado por terremoto na Nova Zelândia
O prefeito da cidade, Bob Parker, disse que a destruição foi imensa, e foi decretado estado de emergência.

A Defesa Civil estima que mais de 500 edifícios tenham sido danificados.

Segundo as autoridades locais, a eletricidade já voltou à maior parte da cidade, e caminhões pipa vão fornecer água aos moradores.

Milhares de terremotos são registrados todos os anos na Nova Zelândia, mas poucos causam danos significativos.

'Inseguro'
Segundo o site GeoNet, foram registrados 19 choques durante a noite que se seguiu ao terremoto.

Uma família em Darfield, próximo ao epicentro do tremor, relatou ter passado a noite debaixo da mesa de jantar.

O terremoto atingiu a Ilha Sul na madrugada de sábado (hora local), quando a maioria das pessoas estava dormindo.

O epicentro foi localizado a 20 km de Christchurch, segundo a organização governamental GNS Science.

Dois homens ficaram seriamente feridos, mas não há relatos de vítimas fatais.

"Os danos são incrivelmente apavorantes. A única coisa que podemos dizer é que é um milagre que ninguém tenha perdido a vida", disse o primeiro-ministro Jonh Key à TV NZ.

Muitos moradores passaram a noite de inverno com vazamentos e casas danificadas. Horas depois do terremoto, um edifício pegou fogo no centro de Christchurch, aparentemente por causa de um vazamento de gás.

Segundo o prefeito Parker, o amanhecer mostrou que os danos foram muito piores do que se pensava.

"Não haverá uma casa, uma família em nossa cidade que não tenha, de algum modo, sofrido dano à sua pessoa ou propriedade", disse ele em rádio nacional.

"Acho que é como um iceberg; há (...) abaixo da linha visível, significativos danos estruturais."
A polícia afirmou que foram relatados danos à rede de energia até a cidade de Dunedin, 360 km ao sul de Christchurch.

Chaminés e paredes externas caíram em edifícios mais antigos, ruas ficaram bloqueadas, semáforos pararam de funcionar e o fornecimento de água e gás foi interrompido, disse o prefeito.

"Houve danos consideráveis no centro da cidade e também recebemos relatos de saques, vitrines de lojas quebradas" e outros distúrbios, disse o inspetor da polícia Mike Coleman à Rádio Nova Zelândia. "É muito inseguro sair por aí."

'Anel de Fogo'
"Foi muito assustador. Eu estava dormindo e de repente a casa começou a balançar e ouvi um barulho como se um caminhão tivesse entrado pela janela", disse à BBC Susan Birkbeck, uma das moradoras de Christchurch.

"Agora estou sentada na minha cama cercada de vidro quebrado e não tenho ideia do que fazer."
O epicentro do tremor foi a 30 km a oeste de Christchurch, a 33 km de profundidade.

O sismo ocorreu as 4h35 no horário local (13h35 em Brasília). De acordo com a Rádio Nova Zelândia, o sismo foi sentido por cerca de 40 segundos, e terremotos secundários foram registrados posteriormente na área atingida.

Segundo o site do jornal New Zealand Herald, várias estradas foram bloqueadas por escombros depois que as fachadas de diversos prédios desabaram, deixando visível o interior das construções.

A Nova Zelândia fica no limite sul do chamado "Anel de Fogo" do Oceano Pacífico, como é conhecida uma área especialmente vulnerável a terremotos e erupções vulcânicas.

O país ocupa uma área da crosta terrestre onde a Placa tectônica do Pacífico converge com a placa Indo-Australiana e registra mais de 14 mil terremotos por ano, dos quais cerca de 20 chegam a cinco graus de magnitude.

O último tremor fatal na Nova Zelândia ocorreu em 1968, matando três pessoas na costa oeste da ilha sul.

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