Chineses buscam alugar terras após projeto proibir venda na Argentina

Representantes de empresa estatal chinesa visitam província de Rio Negro, no sul do país, para avaliar terrenos para plantações

BBC Brasil |

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Representantes de uma empresa estatal chinesa estão na província de Rio Negro, no sul da Argentina, para alugar terras para a produção de alimentos que serão exportados para a China.

Nesta quarta-feira, autoridades locais e a comitiva chinesa começaram a percorrer os terrenos das regiões que poderão passar a abrigar as plantações.

A visita acontece após a presidente argentina, Cristina Kirchner, ter anunciado na semana passada um projeto de lei que prevê limites para a venda de terras para estrangeiros. A proposta, porém, não restringe o aluguel de terras.

A assessoria de imprensa do governo da província de Rio Negro explicou que um acordo assinado no ano passado autoriza os chineses a alugarem terras de proprietários privados, que receberão empréstimos desses empresários chineses para a compra de equipamentos e pagamento em dinheiro pelo aluguel da terra.

"Os empréstimos para a aquisição de tratores e outros produtos para a infraestrutura da terra serão pagos pelos proprietários de terras com os alimentos que serão exportados para a China. Mas eles vão receber também dinheiro pelo aluguel de seu terreno", disse à BBC Brasil o assessor de imprensa do governo local, Luis Bonaiuto.

Diversos produtos

O projeto de lei apresentado pelo governo para proibir a venda de terras para estrangeiros já está sendo alvo de críticas por permitir o aluguel dos terrenos.

Entretanto, segundo o professor de geopolítica da Universidade de Buenos Aires Adolfo Koutoudjian, que assessorou o Ministério da Agricultura no projeto, “por questões jurídicas, não é fácil incluir essa proibição do aluguel de terras” na proposta, que visa evitar a "estrangeirização” das áreas.

O secretário de Produção de Rio Negro, Juan Accatino, disse que os chineses, da empresa Beidahuang State Farms Business Trade Group, estão interessados na produção de diversas lavouras. "A soja será um dos produtos, mas não o único. Existirão outras produções, como milho, cevada, tomate, abóbora e cebola. Eles também estão muito interessados na carne, produto que passou a ser consumido pelos chineses", disse Accatino. "Vamos tentar localizar os primeiros hectares (férteis) para esta produção."

Segundo assessores do governo, os produtores privados estão interessados no negócio pois ficariam com a infraestrutura para suas terras, mas ainda aguardam maiores detalhes, como os valores dos créditos e prazos para pagamentos, para avançar ou não no entendimento.

Outras províncias

Como as demais províncias da Patagônia (região no sul da Argentina), Rio Negro, com 500 mil habitantes, tem baixa ocupação demográfica e muita terra disponível para o cultivo.

Luis Bonaiuto disse que os próximos passos deverão ser a definição dos valores que serão investidos pelos chineses, o que não foi estabelecido no acordo assinado entre o governo de Rio Negro e os investidores chineses.

Os chineses passaram a se interessar pelas terras de Rio Negro depois de investirem, há quatro anos, na mina de ferro de Serra Grande, na mesma província. Eles também estão em negociações para investimentos nas terras de outras províncias argentinas, como no Chaco, no norte do país.

"Existem alguns grupos chineses interessados na produção agropecuária. Estamos na etapa de avaliação. Mas já sabemos que o Estado entraria com as terras por um determinado período e o investidor com a infraestrutura necessária para levar a produção e gestão do projeto adiante", disse à BBC Brasil a coordenadora da Agência de Investimentos e Comércio Exterior do governo do Chaco, Theresa Durnbeck.

Segundo ela, os investimentos "são importantes para a província" porque "vão gerar empregos genuínos e incorporar tecnologia à produção" local. A empresa chinesa Shinerav já possui parceria com um grupo da província para a fabricação de motocicletas.

Porém, a questão dos alimentos e das terras gera polêmica, já que o governo implementou medidas nos últimos tempos para restringir as exportações, por exemplo, de carne na tentativa de colocar um freio na inflação.

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